O que é SIFO?
Síndrome Fúngica Intestinal
Dra.Loana Heuko Valiati // 25/03/2025
Categoria: SIFO, intestino, fungos

Os trilhões de microrganismos que vivem no nosso intestino fazem parte da microbiota intestinal, e na última década, principalmente, entendemos o quanto impactam não só na nossa saúde intestinal, mas também na nossa saúde sistêmica, influenciando órgãos à distância.
Quando há equilíbrio entre estes microrganismos, dizemos que ocorre a EUBIOSE, já o contrário, um desequilíbrio, leva à DISBIOSE.
A grande maioria das pessoas acredita que a disbiose ocorre somente quando há falta de microrganismos no intestino, mas, também pode ocorrer por excesso!
É o caso do SIFO, Supercrescimento Crescimento Fúngico Intestinal!
E você pode até perguntar, mas de onde vem esse fungo?
Bom, os fungos normalmente vivem no nosso intestino, em pequenas quantidades, controlados pelas boas bactérias, que fazem o policiamento da região, quando há disbiose, diminuição destas bactérias, os fungos, que são oportunistas, conseguem proliferar no intestino, levando a sintomas intestinais e extraintestinais. A Candida é responsável por 90-95% dos fungos encontrados em SIFO!
Quais os sintomas do SIFO?
No trato digestivo, SIFO pode causar sintomas gerais e inespecíficos, como gases, inchaço, desconforto abdominal, diarreia ou constipação. Sintomas que estão presentes também, em várias outras patologias, como o SIBO (supercrescimento de bactérias no intestino delgado), IMO (arqueias produtoras de metano) e até SII (Síndrome do intestino irritável), o que leva à prováveis erros diagnósticos.

O SIFO também causa sintomas extraintestinais, que em grande parte das vezes, não são correlacionados com disbiose intestinal. O paciente pode apresentar:
– língua com camada de coloração esbranquiçada ou amarelada ao acordar,
– dermatite seborreica (fina descamação) do couro cabeludo, de sobrancelhas ou na barba em homens,
– alteração na coloração da pele, manchas esbranquiçadas nas costas, abaixo dos seios ou axilas,
– fungo nas unhas, principalmente dos pés,
– candidíase de repetição (4 ou mais episódios ao ano),
– dificuldade em emagrecer,
– vontade louca de comer doces.

A preferência por doces vem da infecção fúngica, e o maior consumo de carboidratos simples correlaciona-se positivamente com os níveis de cândida.
Os fungos, através do seu metabolismo, produzem micotoxinas, que são substâncias tóxicas ao nosso organismo, responsáveis por sintomas extraintestinais:
– falta de foco e concentração
– problemas com a memória
– dores articulares e musculares
– fadiga
– sensibilidades alimentares
O SIFO também pode se manifestar através de candidíase oral ou esofágica, com lesões esbranquiçadas na mucosa, e até coceira perianal.
Identificar estes sintomas e reconhecê-los como parte integrante da Síndrome Fúngica Intestinal, permitirá o diagnóstico adequado e o tratamento efetivo.
Quem pode apresentar SIFO?
Pessoas com sistema imunológico enfraquecido, particularmente aquelas infectadas pelo HIV, diabetes, câncer ou aquelas submetidas à quimioterapia, uso de imunossupressores, esteróides (corticóides) ou antibióticos, têm maior probabilidade de desenvolver o SIFO.
Pacientes transplantados, crianças, idosos e pacientes hospitalizados apresentam maior risco de supercrescimento fúngico.
No entanto, não sabemos por que o SIFO afeta pessoas saudáveis com imunidade normal.

Estudos mostram que o uso de inibidores da bomba de prótons pode diminuir a acidez gástrica e prejudicar o peristaltismo do intestino delgado, e assim, favorecer o desenvolvimento de SIFO.
SIBO e SIFO, “os amigos inseparáveis do intestino”
O supercrescimento de bactérias no intestino delgado (SIBO), é um tipo de disbiose, com excesso de bactérias, muito comum no intestino. E o SIFO, supercrescimento fúngico intestinal, excesso de fungos, está associado a esta condição.
Quando há supercrescimento bacteriano no intestino delgado temos disbiose, com excessiva colonização bacteriana que produz substâncias nocivas, inflamatória à parede intestinal, que levam ao afrouxamento das uniões entre as células intestinais.
Esse evento é chamado de leaky gut ou aumento de permeabilidade intestinal.
E o nosso sistema imune, 80% localizado no intestino, fica exposto a essas substâncias, assim como, às toxinas que estavam dentro do intestino.

Isso leva a um grande estímulo de resposta do nosso sistema imune, que está envolvido agora em um processo inflamatório crônico de baixa intensidade.
Com a disbiose, ocorre a perda das bactérias benéficas, as quais conversavam positivamente com o nosso sistema imune, que fazia a manutenção da casa, deixando tudo em ordem.
Com a perda da integridade da parede intestinal, que é o leaky gut, com falta de nutrientes para o adequado funcionamento do sistema imune, pois as bactérias do SIBO levam a deficiências nutricionais, podemos dizer que os fungos, antes ali, em menor número e suprimidos, agora, sentem-se confortáveis para proliferar!
Assim, fica fácil entender porque o SIBO e o SIFO estão frequentemente associados!
Infelizmente, as duas condições compartilham também de sintomas comuns, gases, inchaço, desconforto e alterações no trânsito intestinal, e por vezes, após o diagnóstico do SIBO, o médico fica satisfeito e não há maiores investigações sobre o SIFO.

Se você está em tratamento de SIBO e não apresenta melhora devida, apesar dos medicamentos e dieta low FODMAP, converse com o seu gastroenterologista sobre a possibilidade de outro diagnóstico associado: SIFO!
Considerações importantes deste artigo!
1. O SIFO é o supercrescimento de fungos no intestino.
2. Os sintomas do SIFO podem ser intestinais: inchaço, gases, desconforto abdominal e alteração no trânsito intestinal, assim como extraintestinais.
3. Quando os sintomas são extraintestinais dificilmente são associados a um problema que começa no intestino e podem confundir o médico e o paciente.
4. Algumas condições facilitam o desenvolvimento de fungos no intestino, e SIBO é uma delas.
5. Certifique-se de estar acompanhada(o) por um gastroenterologista que entenda esta conexão de sintomas extraintestinais com SIFO!
6. Após o diagnóstico do SIBO, continuar a investigação e afastar a possibilidade do SIFO, são condições frequentemente associadas e com sintomas semelhantes.
7. Sem o diagnóstico adequado e o tratamento efetivo não é possível recuperar a saúde de forma integrativa.


