Seu tratamento de SIBO não deu certo?
Entenda o que pode ter acontecido e como PREVENIR a recidiva do SIBO!
Dra.Loana Heuko Valiati // 25/03/2025
Categoria: SIBO, intestino, tratamento

O supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO) pode ser causado por várias condições associadas, doenças intestinais e extraintestinais!
Entender o que ocasionou o SIBO é essencial para elaborar estratégias eficazes de tratamento e prevenção! Importante lembrar que não existe um protocolo único, pois cada paciente apresentará uma causa diferente para o seu SIBO!
Mas o que é o SIBO?

Se você nunca escutou nada sobre esta sigla que vem do inglês, vou fazer um breve resumo para você! O Supercrescimento Bacteriano do Intestino Delgado (SIBO) é uma condição caracterizada por uma alteração na população bacteriana do intestino, essa disbiose é causada ou por uma quantidade excessiva de bactérias ou por um certo desequilíbrio entre os tipos bacterianos, onde mais bactérias maléficas estão presentes em relação às benéficas.
Normalmente não temos muitas bactérias no intestino delgado, podemos dizer que este órgão é praticamente “estéril” em relação ao intestino grosso, e quando o supercrescimento ocorre no intestino delgado vários sintomas se manifestam, não só no trato digestivo, mas em todo o nosso organismo.
Mas o SIBO não ocorre como condição primária, SIBO é secundário a outra condição maior que está ocorrendo no seu corpo e que leva a alterações no seu trato digestivo permitindo o super crescimento. Quando não identificamos estas condições, ou usamos tratamentos parciais e dietas inadequadas, o SIBO pode recidivar!
Vamos ver o que pode levar às recidivas de SIBO?

1. Alteração na motilidade intestinal
A motilidade normal do trato digestivo envolve contrações musculares dentro do estômago e do intestino para mover alimentos, toxinas, poluentes ambientais, células mortas e bactérias através do trato digestivo, em direção ao reto. É a maneira como o corpo elimina o conteúdo do estômago e do intestino.
Quando esses movimentos são prejudicados ou insuficientes, como visto em condições como síndrome do intestino irritável (SII), doença celíaca, doença de Crohn, diabetes, hipotireoidiso ou devido a danos no Complexo Mioentérico Motor (MMC), as bactérias podem estagnar e começar a se multiplicar excessivamente.
2. Hipotonia do nervo vago

Você já ouviu falar do sistema nervoso simpático e parassimpático?
O sistema nervoso simpático nos prepara para as situações de estresse diário. É o nosso sistema de “luta-fuga”, acionado em casos de estresse tanto físico, quanto mental.
Já o sistema nervoso parassimpático tem como função “reparo e digestão”. Os dois nunca serão acionados simultaneamente, ou você está em estresse (simpático) ou em relaxamento (parassimpático).
Mas o que o nervo vago tem a ver com tudo isso?
O nervo vago é um componente central do sistema nervoso parassimpático, é o principal nervo que regula todas as funções do trato gastrointestinal: secreção de enzimas, manutenção da motilidade intestinal e função imunológica.
Se deixarmos de estimular o nervo vago, por acionarmos constantemente do sistema nervoso simpático, principalmente por situações crônicas de estresse, o nervo vago pode perder o seu tônus, e a diminuição de movimentação intestinal e secreção de enzimas pode ocorrer favorecndo o SIBO.
Além disso, a atividade vagal deficiente também pode influenciar a resposta inflamatória no intestino.
3. Dieta low FODMAP realizada de forma inadequada

A grande maioria dos pacientes com sintomas digestivos já tentaram alguma vez na vida ou estão atualmente em uma dieta low FODMAP. Recebo diariamente várias pessoas com diagnóstico de SIBO, insatisfeitas com o resultado da dieta baixa em FODMAP, apesar do sacrifício e restrições.
Quando usamos a dieta low FODMAP para o tratamento de SIBO, alguns pontos importantes devem ser levados em consideração, pois um plano alimentar inadequado poderá ser o motivo da persistência dos seus sintomas e recidivas.
Algumas pessoas estão em uma dieta baixa em FODMAP por muito tempo, outras por tempo insuficiente, outras se autossabotam nos finais de semana quando também precisam manter as restrições e muitas, apesar de seguirem a dieta perfeitamente, apresentam alergias ou sensibilidades aos alimentos que estão indicados na própria dieta low FODMAP.
Reconhecer estas situações e corrigi-las permitirá que o paciente permaneça o mínimo de tempo nesta dieta, para máxima recuperação intestinal!
4. Diminuição das secreções digestivas

O principal controlador de super crescimento de qualquer espécie de microrganismos no nosso trato digestivo é o ácido clorídrico, produzido no estômago.
Além disso, quando a secreção de ácido está normal, o ph adequado permite o acionamento de outras enzimas digestivas, produzidas pelo pâncreas e intestino, que levam à digestão adequada das proteínas, carboidratos e gorduras.
Para absorção adequada de certas vitaminas e minerais, como a vitamina B12 e o ferro, necessitamos de acidez estomacal correta.
Quando não há acidez correta, ocorre a presença de maior número de bactérias no trato digestivo, e quando alimentos mal digeridos, por falta de ácido e enzimas chegam ao intestino, as bactérias recebem maior quantidade de alimentos para fermentação, e com isso SIBO ocorrerá com maior probabilidade!
Importante investigar: infecção por Helicobacter pylori, gastrite crônica atrófica, doenças autoimunes que atingem o estômago, cirurgias e uso de medicamentos prejudicando a produção de ácido. Assim, como doenças hepatobiliares e insuficiência pancreática exócrina.
Inflamação no pâncreas, no fígado, vesícula biliar e intestino também levam à alterações nas secreções digestivas, prejudicando digestão e absorção alimentar.
5. Deficiência da válvula ileo-cecal

A válvula ileocecal é uma estrutura importantíssima na anatomia do sistema gastrointestinal e desempenha um papel significativo na prevenção do supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO).
A válvula IC é uma aba muscular, que funciona como se fosse uma escotilha, separando o intestino grosso do intestino delgado. Normalmente, a válvula IC encontra-se fechada, impedindo o refluxo do intestino grosso para o delgado, e isso é muito bom, pois não queremos material tóxico voltando na direção errada, ou seja, refluindo para o intestino delgado que é o órgão responsável pela digestão e absorção de alimentos.
Inflamações no intestino, como a doença de Crohn, ou cirurgias, podem afetar a adequada função da válvula ileocecal, permitindo que ela fique parcialmente ou completamente aberta, com refluxo de bactérias para o intestino delgado.

6. Formação de biofilmes
Biofilmes são bactérias que se reúnem abaixo de um escudo, ficando aderidas ao epitélio intestinal, imunes ao ataque das células de defesa do corpo e a ação dos antibióticos, além disso, retiram do organismo do hospedeiro fontes pelas quais elas se alimentam e se mantém!
Grande parte das bactérias produz biofilmes e se esses biofilmes não forem quebrados, você terá com certeza uma erradicação incompleta, e isso levará a uma recidiva do SIBO. Para tratamento utilizamos os disruptores de biofilmes!
Identificar e tratar a causa do SIBO!
É hora de pensarmos grande quando falamos do SIBO!

Uma recidiva do SIBO pode ser frustrante e o tratamento bem-sucedido requer a identificação das causas subjacentes, isso significa diagnosticar o que levou ao SIBO e aqui poderemos encontrar uma ou mais causas!
Qualquer abordagem única fornecerá somente um alívio temporário. Mesmo que esta abordagem seja o uso de antibióticos! Tratar SIBO com antimicrobianos só reduz a população bacteriana, mas não trata a raiz do seu problema!
Devemos identificar condições intestinais ou extraintestinais que levam à perda dos mecanismos de contenção mencionados acima. E como as alterações são muitas, cada paciente terá um tipo de investigação, através de exames que identifiquem a sua causa em específico!
Aqui temos algumas condições sistêmicas ligadas ao SIBO: diabetes (tipo 1 e 2), problemas de tireoide, alterações no cortisol, esclerodermia, hipotireoidismo, endometriose, pancreatite, cirurgia bariátrica, má absorção de gordura, cirurgias, medicamentos, estilo de vida, alterações metabólicas e hormonais!
As causas intestinais associadas ao SIBO são as doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite, doença celíaca, parasitoses, supercrescimento fúngico intestinal (SIFO), alergias ou sensibilidades alimentares e intestino permeável (leaky gut).
Todas essas condições afetam a função normal do sistema digestivo, e podem promover o crescimento excessivo de bactérias. Gerenciá-las por meio de tratamento adequado pode reduzir significativamente o risco de uma recidiva do SIBO.
Considerações importantes sobre este artigo!
1. Identificar a causa de SIBO para tratamento adequado e evitar recidivas.
2. SIBO pode ocorrer por doenças intestinais e extraintestinais. Cada paciente fará um protocolo de investigação, com exames de sangue e imagem específicos solicitados pelo seu médico.
3. Se o tratamento de SIBO não foi bem-sucedido, pensar em: falta de motilidade intestinal, produção insuficiente de secreções digestivas, formação de biofilmes, válvula ileocecal deficiente, hipotonia do nervo vago e dita low FODMAP realizada de forma inadequada.
4. As recidivas podem ser evitadas se a causa de SIBO foi diagnosticada e tratada e se o tratamento de SIBO foi completo (antibióticos, suplementos para desinflamar o intestino e dieta).
5. Certifique-se de estar acompanhada por um gastroenterologista que tenha experiência no atendimento das doenças da microbiota intestinal.
6. Importante tratar a causa raiz e não somente os sintomas!


