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Dra.Loana Heuko Valiati // 05/03/2025

Categoria: fungos, SAM, histamina

 

 

 

As toxinas do mofo, também conhecidas como micotoxinas, podem desencadear a ativação dos mastócitos e exacerbar a intolerância à histamina  por meio de vários mecanismos. Entender como as toxinas do mofo impactam os mastócitos e os níveis de histamina fornece noções importantes sobre a complexa interação entre exposições ambientais e desregulação imunológica. No artigo de hoje, analiso com você 5 maneiras pelas quais as toxinas do mofo podem desencadear SAM (Síndrome de Ativação Mastocitária) e intolerância à histamina.

 

 

Toxinas do mofo (micotoxinas) e ativação de mastócitos!

As toxinas do mofo são produzidas por vários tipos de mofo comumente encontrados em ambientes internos. A exposição a essas toxinas pode desencadear respostas inflamatórias no corpo, levando a condições como ativação de mastócitos ou a intolerância à histamina. São condições diferentes, mas que podem se sobrepor.

 

 

 

 

Mastócitos são um tipo de célula do nosso sistema imune que desempenham um papel fundamental na defesa do nosso corpo contra patógenos e alérgenos. No entanto, quando os mastócitos se tornam hiperativos ou hipersensíveis, eles podem liberar quantidades excessivas de mediadores inflamatórios, incluindo triptases, prostaglandinas, NF-kB, citocinas IL-1 e histamina.

 

5 maneiras pelas quais as toxinas do mofo desencadeiam a síndrome de ativação dos mastócitos – SAM

Aqui estão algumas maneiras pelas quais as toxinas do mofo podem desencadear a síndrome de ativação dos mastócitos e a intolerância à histamina:

1. Estimulação direta dos mastócitos:

A estimulação direta de mastócitos é uma maneira pela qual as toxinas do mofo podem desencadear a SAM. As toxinas do mofo demonstraram estimular diretamente os mastócitos, levando à sua ativação e subsequente liberação de histamina. Quando os mastócitos são expostos às toxinas do mofo, eles podem se tornar hipersensíveis ou super reativos, liberando quantidades excessivas de histamina e outros mediadores inflamatórios nos tecidos circundantes. Isso pode desencadear reações alérgicas, inflamação e uma cascata de respostas imunológicas que contribuem para os sintomas de intolerância à histamina .

2. Desequilíbrio do sistema imunológico:

As toxinas do mofo podem perturbar o delicado equilíbrio do sistema imunológico, levando à desregulação das respostas imunes e sensibilidade aumentada de seus vários tipos de células, incluindo os mastócitos. O sistema imunológico percebe as toxinas do mofo como invasores, como substâncias estranhas e monta uma resposta inflamatória para eliminá-las. Em indivíduos com ativação de mastócitos existente ou intolerância à histamina, essa resposta imunológica, desencadeada pelo mofo, pode exacerbar ainda mais os sintomas, aumentando a liberação de histamina e promovendo inflamação sistêmica.

3. Liberação de histamina:

Toxinas do mofo podem desencadear um aumento nos níveis de histamina no corpo ao desencadear diretamente uma ação sobre os mastócitos. A histamina é um mediador chave de reações alérgicas e respostas inflamatórias.

Quando os mastócitos são ativados por toxinas de mofo, eles liberam histamina na corrente sanguínea, levando a sintomas como coceira, urticária, rubor, problemas respiratórios, ansiedade e distúrbios gastrointestinais como distensão abdominal, gases e diarreia. Esse excesso de histamina pode sobrecarregar a capacidade do corpo de metabolizá-la, resultando em sintomas de intolerância à histamina.

 

 

 

 

4. Metabolismo prejudicado da histamina :

Toxinas de mofo podem desencadear intolerância à histamina e SAM ao interromper os sistemas enzimáticos responsáveis ​​pelo metabolismo da histamina no corpo, levando à depuração prejudicada da histamina. A histamina é degradada no corpo por meio de duas principais vias enzimáticas.

A primeira via enzimática é a enzima diamina oxidase (DAO)  na mucosa intestinal e a segunda via de degradação da histamina é a enzima histamina-N-metiltransferase (HNMT) em tecidos como o sistema nervoso central.

Se qualquer uma dessas vias enzimáticas for comprometida, isso resultará no acúmulo de histamina no corpo, contribuindo ainda mais para os sintomas de intolerância à histamina.

5. Ativação e sensibilidade crônicas:

A exposição prolongada ou repetida às micotoxinas pode desencadear ativação crônica de mastócitos e um estado de sensibilidade elevada. Indivíduos que são continuamente expostos a toxinas de mofo podem apresentar síndrome de ativação persistente de mastócitos, CIRS (Síndrome de Resposta Inflamatória Crônica) e sintomas associados a condições alérgicas, como asma, eczema, rinite alérgica e urticária.

 

 

 

 

Como fui exposto às toxinas do mofo?

A exposição a micotoxinas de mofo pode ocorrer por vários caminhos. Cada pessoa que tem CIRS ou doença das micotoxinas do mofo pode ter tido um mecanismo diferente de exposição.

Vamos rever algumas das maneiras pelas quais você pode ter sido exposto às toxinas do mofo.

1. Exposição no ar: A inalação de esporos de mofo carregando micotoxinas é uma rota comum de exposição. Os esporos de mofo podem ser liberados no ar pelo crescimento de mofo em superfícies, materiais de construção, alimentos ou vegetação externa. Uma vez no ar, esses esporos podem ser inalados, permitindo que as micotoxinas entrem no sistema respiratório e potencialmente causem efeitos à saúde.

2. Exposição por contato: O contato direto com superfícies ou materiais contaminados por mofo também pode levar à exposição a micotoxinas. Tocar ou manusear itens infestados por mofo, como paredes, carpetes, móveis ou alimentos, pode resultar em contato da pele com micotoxinas. A absorção pela pele é outra via pela qual as micotoxinas podem entrar no corpo.

 

 

3. Ingestão: O consumo de alimentos e bebidas contaminados com micotoxinas de mofo é uma fonte comum de exposição. As micotoxinas podem contaminar grãos, nozes, frutas e outros itens alimentares durante o cultivo, armazenamento ou processamento. A ingestão desses alimentos contaminados pode levar à absorção de micotoxinas no trato gastrointestinal.

4. Exposição dérmica: A exposição a micotoxinas pode ocorrer através da pele, particularmente em casos de contato direto com materiais ou superfícies contaminados por mofo. O contato da pele com esporos de mofo ou resíduos de micotoxinas pode resultar em absorção através da pele e potenciais efeitos sistêmicos.

 

 

5. Inalação de ambientes danificados pela água: Ocupar ou trabalhar em edifícios com danos causados ​​pela água e crescimento de mofo pode expor indivíduos a micotoxinas pelo ar. A má qualidade do ar interno em edifícios danificados por umidade pode conter altos níveis de esporos de mofo e micotoxinas, levando à exposição respiratória.

6. Exposição ocupacional: Certas ocupações, como agricultura, construção e ambientes industriais, podem envolver maiores riscos de exposição a micotoxinas de mofo devido à natureza do ambiente de trabalho. Trabalhadores nessas indústrias podem entrar em contato com materiais contaminados por mofo e ter maior exposição a micotoxinas.

Clique aqui  (link zero) para fazer o teste de micotoxina de mofo e avaliar seu risco

 

 

 

 

O que pode estar “extravasando” seu balde de histamina? 

Infelizmente, as toxinas do mofo não são o único “item” no seu balde de histamina. Saber o que está enchendo seu balde e desencadeando seus sintomas de intolerância à histamina e SAM é seu ingresso para uma saúde melhor. O “balde de histamina” é um conceito usado para explicar a intolerância à histamina e como os níveis de histamina do corpo podem ficar sobrecarregados e levar à histamina elevada e aos sintomas de SAM.

Imagine a capacidade do corpo de metabolizar histamina como um balde. Este balde tem uma certa capacidade de processar histamina efetivamente. Quando os níveis de histamina do corpo excedem essa capacidade, o balde transborda e os sintomas de intolerância à histamina podem aumentar.

O conceito do balde de histamina. A histamina enche o seu balde por:

  • Produção interna de histamina
  • Histamina dos alimentos e do ambiente
  • Metabolismo deficiente da histamina (DAO, HNMT, SNPS genético)
  • Gatilhos de histamina (alimentos, hormônios, cortisol, mofo, medicamentos)

Considerações importantes sobre este artigo!

1. As toxinas de mofo desencadeiam a ativação de mastócitos e liberação de histamina e pioram a intolerância à histamina, interrompendo a função do sistema imunológico e prejudicando o metabolismo da histamina.

2. As respostas inflamatórias resultantes e a sobrecarga de histamina podem levar a uma série de sintomas, incluindo reações semelhantes a alergias, desconforto gastrointestinal, sintomas neurológicos e inflamação sistêmica.

3. Gerenciar a exposição ao mofo, apoiar o equilíbrio imunológico e abordar a intolerância à histamina são essenciais para mitigar os efeitos das toxinas do mofo na ativação dos mastócitos e na intolerância à histamina.

 

 

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Antibióticos não tratam o SIBO! https://sibo.viralbedigital.com.br/antibioticos-nao-tratam-o-sibo/ https://sibo.viralbedigital.com.br/antibioticos-nao-tratam-o-sibo/#respond Mon, 11 Aug 2025 23:50:04 +0000 https://curso.siboamigo.com.br/?p=4105 Antibióticos não tratam o SIBO!

Como resolver o SIBO então?

Dra.Loana Heuko Valiati // 08/05/2025

Categoria: SIBO, medicamentos

 

 

 

 

A jornada dos pacientes até o diagnóstico de SIBO é longa, muitas consultas, exames e até tratamentos. Quando recebem o diagnóstico de SIBO, ficam felizes e satisfeitos, porque finalmente os seus sintomas receberam um nome!!

Mas, receber este diagnóstico não resolverá os seus problemas ou evitará recidivas.

SIBO (supercrescimento bacteriano do intestino delgado) é apenas um sintoma de um problema muito maior, e a chave para o tratamento de sucesso está em entender isso!

SIBO não é a causa raiz do seu inchaço, gases, distensão abdominal, constipação e diarreia. Se fosse, o tratamento com antibióticos seria o suficiente para eliminar o supercrescimento e os sintomas!

Percebemos falha nos tratamentos focados apenas em MATAR BACTÉRIAS com antimicrobianos e/ou dietas com baixo FODMAP.

Isso apenas arranha a superfície do que seria um tratamento IDEAL! Precisamos buscar a verdadeira causa do SIBO, ou seja, o que permitiu a ocorrência do supercrescimento no seu intestino!

Se você recebeu o diagnóstico de SIBO, metade do caminho já foi percorrido, NÃO DESANIME, o importante agora é prosseguir buscando a causa do SIBO!

 

O grande problema no SIBO..

 

 

 

 

Muito antes de supercrescimento bacteriano, SIBO se trata de falta de motilidade intestinal. É aqui que a investigação da causa do SIBO começa!

As razões para a “falta de motilidade” podem ser múltiplas e variadas. Cada paciente terá um ou mais motivos pelos quais a motilidade e a digestão apresentam problemas!

Existem causas que levam a alterações de motilidade que se originam no trato digestivo, mas também, causas extra intestinais.

Não existe um protocolo único de investigação capaz de guiar o médico nesta busca. O importante é ter em mente que o nosso corpo se comunica e que os órgãos mantêm conexão entre si, somente assim será possível uma avaliação ampla com identificação da causa raiz do SIBO! 

Afinal, como você conserta algo se não sabe o que o causou em primeiro lugar.

Como a causa do SIBO não é a mesma para todos, é necessária uma consulta minuciosa para solicitar os exames específicos para cada caso.

O teste de hidrogênio expirado é indicado para o diagnóstico de SIBO. Testes funcionais, metabólicos, hormonais, laboratoriais e de imagem podem auxiliar a diagnosticar as causas do SIBO.

 

 

 

 

Pontos importantes a serem avaliados na busca da causa do SIBO:

  • Complexo Motor Migratório – Eixo Cérebro Intestino, responsável pela motilidade intestinal Hipocloridria (baixa acidez estomacal)
  • Função do fígado e da vesícula biliar
  • Insuficiência pancreática
  • Alergias a fungos ou toxinas do mofo (micotoxinas)
  • Sensibilidades e alergias alimentares
  • Uso de medicamentos- hormônios tireoidianos, antidepressivos, antibióticos, analgésicos, anticoncepcionais via oral

 

 

  • Cirurgias prévias (bridas ou aderências)
  • Desequilíbrios metabólicos: diabetes, colesterol alto
  • Desequilíbrios hormonais: hipo/hipertireoidismo, alteração no cortisol, hiperestrogenismo
  • Inflamação intestinal (leaky gut)
  • Trauma Emocional
  • Neurotransmissores
  • Deficiências nutricionais
  • Problemas gastrointestinais: doença celíaca, doença de Crohn ou colite ulcerativa
  • Se você suspeitar de SIBO, comece avaliando seu risco de SIBO aqui(inserir aqui link para questionário sibo)

 

Ao consultar os meus pacientes, sigo os seguintes passos:

  • Identificar o SIBO
  • Tratar o SIBO e suas complicações (inflamação eleaky gut)
  • Corrigir as deficiências nutricionais
  • Identificar as prováveis causas do SIBO
  • Restaurar o intestino e a microbiota intestinal.

 

 

Esse passo a passo faz parte do Projeto SiboAmigo, que é uma forma de atendimento aos pacientes com distúrbios microbianos, onde realizo uma ampla abordagem na busca da causa raiz do SIBO!

Como as causas de cada paciente podem ser múltiplas e variadas, um projeto é planejado para cada um deles, desde a descoberta da causa, tratamento e acompanhamento!

Isso pode levar certo tempo e dedicação, tanto da parte do paciente, quanto do médico, mas esse tempo é fundamental para o sucesso de um tratamento sem recidivas!

 

O que torna minha abordagem ao tratamento de SIBO diferente?

Trato cada paciente com SIBO como um indivíduo único

Não acredito em abordagens padronizadas ou “protocolos”

Acredito em cuidados da causa raiz

Priorizo curar, reparar e nutrir o corpo com suplementos fitoterápicos, associados a um plano alimentar adaptado de acordo com as necessidades de cada paciente, com orientações da nutricionista.

 

 

Nosso programa de tratamento SIBO é um ótimo caminho para começar! E pode contar comigo, caminharemos juntos!

Se os seus programas de tratamento anteriores falharam no tratamento de seu SIBO, é hora de olhar para o quadro geral. Temos a experiência para ajudá-lo com SIBO e muitos outros problemas gastrointestinais crônicos. 

Nossa clínica realiza testes laboratoriais e funcionais avançados, antibioticoterapia que segue padrão internacional de indicação, fitoterapia e suplementação, bem como aconselhamento nutricional em todos os nossos programas de tratamento SIBO.

Se você estiver interessado em receber informações sobre nosso Projeto SiboAmigo e como esse atendimento funciona, acesse o link abaixo! Espero por você para construirmos juntos sua saúde intestinal!

 

 

]]> https://sibo.viralbedigital.com.br/antibioticos-nao-tratam-o-sibo/feed/ 0 Baixo ácido estomacal: como melhorar de forma natural! https://sibo.viralbedigital.com.br/baixo-acido-estomacal-como-melhorar-de-forma-natural/ https://sibo.viralbedigital.com.br/baixo-acido-estomacal-como-melhorar-de-forma-natural/#respond Mon, 11 Aug 2025 23:37:24 +0000 https://curso.siboamigo.com.br/?p=4091 Baixo ácido estomacal: como melhorar de forma natural!

Sem acidez gástrica adequada não existe saúde digestiva.

Dra.Loana Heuko Valiati // 02/04/2025

Categoria: hipoacidez, fitoterápico

 

 

 

 

O nosso trato digestivo é perfeito, tudo que se encontra ali tem uma função, desde as secreções digestivas, passando pelo formato e comprimento de cada órgão até a quantidade de microrganismos intestinais!

Cada detalhe foi programado para nos propiciar digestão e absorção eficientes! Quando algo está fora de ordem, inevitavelmente, problemas digestivos aparecerão!

E hoje, neste artigo, falaremos sobre a hipocloridria, que seria a baixa acidez estomacal, e dicas sobre como você poderá recuperar a acidez gástrica tão necessária para que os sintomas de gases, inchaço, mau hálito, empachamento e refluxo sejam controlados.

 

O que acontece quando você está com hipoacidez?

A baixa produção de ácido gástrico, ou hipocloridria, pode ser desastrosa para o nosso organismo. O ácido clorídrico é o grande maestro do nosso processo digestivo!

Com a acidez estomacal adequada digerimos a proteína animal, acionamos a atividade das outras enzimas digestivas, absorvemos determinados nutrientes importantes para nossa saúde (vitamina B12, cálcio, magnésio, cobre, zinco, ferro) e controlamos a quantidade de microrganismos dentro do nosso trato digestivo.

Nos casos de supressão do ácido pelo uso de medicamentos como os “prazóis” ou na hipocloridria que ocorre, por exemplo, no estresse crônico, no envelhecimento ou na gastrite crônica atrófica, todas essas funções ficam prejudicadas.

Se não for diagnosticada e tratada, a baixa acidez estomacal pode causar danos ao sistema gastrointestinal, causar infecções, causar todos os tipos de deficiências nutricionais e contribuir para uma série de problemas crônicos de saúde.

Vamos conversar sobre maneiras fáceis e práticas para correção do ácido no seu estômago!

 

 

 

Como aumentar a acidez de forma natural?

1. Betaína e pepsina

Estes dois suplementos, betaína HCL e pepsina, são essenciais para uma digestão saudável e completa. A betaína HCL fornece o ácido clorídrico, para a produção de suco gástrico, e a pepsina é a primeira enzima a trabalhar em sinergia com a acidez estomacal.

Grande parte dos pacientes com refluxo ácido, Síndrome do Intestino Irritável (SII), supercrescimento de bactérias no intestino delgado (SIBO) e síndrome fúngica (SIFO), experimenta melhora significativa dos seus sintomas após uso destes suplementos.

Tanto a betaína quanto a pepsina tem melhor efeito se utilizadas antes das refeições. A dose de betaína HCL varia de acordo com a tolerância de cada paciente, e a quantidade certa para cada caso é definida através de um acompanhamento próximo ao gastroenterologista, que vai ajustando o número de cápsulas a serem tomadas.

A pepsina, ingerida 10 a 15 minutos antes das refeições, na dose de 50 a 100mg, geralmente leva a melhora dos sintomas para a maioria dos pacientes.

2. Hortelã-pimenta

 

 

 

Além do estímulo à produção ácida, esta plantinha com sabor e aroma refrescantes, têm efeitos antibacterianos, o que a torna interessante também para os pacientes diagnosticados com SIBO.

Pode auxiliar nos sintomas de gases, náuseas, vômitos e cólicas estomacais. Tem uma ação sobre a musculatura do trato digestivo, aumenta o fluxo de bile auxiliando na digestão de gorduras.

A hortelã pimenta pode ser encontrada na forma de cápsulas, óleo essencial ou chás. Facilmente cultivável no seu jardim ou em um vaso.

3. Vitamina C

Uma forma simples de otimizar a acidez do seu estômago é o uso de ácido ascórbico, também conhecido como vitamina C.

O consumo diário desta vitamina natural, solúvel em água, pode aumentar os níveis de acidez e aliviar sintomas como gases, inchaços e arrotos.

Seu gastroenterologista deverá indicar uma marca de vitamina C de boa qualidade sem muitos aglutinantes que podem agravar a saúde digestiva.

Para melhor absorção, a dose de 1000mg pode ser utilizada em estômago vazio, ou 2 horas após a refeição para os pacientes com certa sensibilidade.

4. Vinagre de maçã

Além de acidificar o estômago, auxiliando na digestão dos alimentos, o vinagre de maçã também funciona como antifúngico, podendo ser utilizado nos casos de síndrome fúngica intestinal. Tomar 1 copo, com 100ml de água, com 1 colher de sopa de vinagre de maçã, 40 a 60 minutos antes das refeições para melhora dos sintomas.

Alimentos fermentados, como chucrute, kimchi, vegetais em conserva, podem igualmente auxiliar no estímulo da produção de ácido clorídrico.

Pacientes com intolerância histamínica ou síndrome de ativação mastocitária (SAM), SIBO ou IMO, devem evitar os alimentos fermentados e o vinagre de maçã.

5. Ingestão de proteínas

A presença de proteína animal no estômago leva a produção de ácido clorídrico. Isso porque aminoácidos e peptídeos estimulam a secreção de gastrina, pelas células G, a gastrina liga-se a receptores na célula parietal do estômago, com liberação de ácido clorídrico (HCL). Ideal ingerir a proteína no início das refeições.

6. Bitters

Bitters são extratos concentrados de ervas, especiarias e outros botânicos, infundidos em álcool. Os bitters funcionam estimulando a produção de ácido clorídrico logo após entrar em contato com as papilas gustativas da sua boca.

Ideal utilizar uma dose imediatamente antes do almoço e do jantar.

No início do seu tratamento, adicione cada suplemento prescrito, em dosagem baixa e de forma gradual, utilize um suplemento por vez, a soma de estratégias poderá trazer efeitos indesejados.

Ao utilizar os suplementos acima, lembre-se, todo suplemento deve ser prescrito e acompanhado por um médico. Suplementos naturais e fitoterápicos também têm seus efeitos colaterais e contra indicações.

 

 

 

Dicas finais!!

  • Além de aumentar a acidez do seu estômago, você também pode evitar algumas situações que levam a baixa produção de ácido clorídrico:
  • Evite comer muito rápido, pratique o mindful eating, ou seja, esteja presente no momento da refeição, deixe o celular de lado, largue os talheres no momento de mastigação, mastigue bem, corte o alimento em fragmentos menores, aprecie sua refeição!
  • Evite alta ingestão de açúcar.
  • Evite ingerir líquidos 1 hora antes e 1 hora após as refeições.
  • Corrija a deficiência de zinco, necessário para produção de ácido no seu estômago.
  • Evite medicamentos antiácidos e bloqueadores de bomba como os “prazóis”, só faça uso com prescrição e acompanhamento médico.
  • Resolver esses problemas não só pode aumentar e normalizar os níveis de ácido estomacal, mas também melhorar a saúde digestiva e reduzir o estresse no corpo!

 

Conclusões importantes do artigo de hoje:

1. A hipocloridria, ou baixa acidez estomacal, é uma condição mais comum do que se imagina. Os sintomas de hipercloridria e hipocloridria podem ser os mesmos, e isso pode confundir o paciente e o médico.

2. Sintomas como azia, refluxo, principalmente acompanhados de mau hálito, gases, inchaço são indicativos de que você precisa de uma investigação médica, e não automedicação!

3. Quando utilizamos antiácidos ou bloqueadores de bomba em casos de hipoacidez, estamos piorando a situação de falta de ácido, aumentando as deficiências nutricionais, infecções, e outros problemas digestivos como SIBO ou SIFO podem ocorrer.

4. Exames médicos podem identificar a alta ou baixa acidez estomacal, bem como outros fatores importantes que podem estar contribuindo para os seus sintomas. Com as informações corretas, o seu médico poderá ajudá-lo a elaborar um plano para tratar as causas e os efeitos da hipocloridria.

 

 

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Pistas que podem indicar o supercrescimento bacteriano!

Dra.Loana Heuko Valiati // 20/04/2025

Categoria: SIBO

 

 

 

 

SIBO significa supercrescimento de bactérias no intestino delgado, é um tipo de disbiose, que ocorre por desequilíbrio na quantidade ou na qualidade das bactérias que vivem no nosso intestino.

A presença de grande quantidade de bactérias no intestino delgado gera vários problemas à nossa saúde digestiva. Primeiro, o intestino delgado é um órgão responsável pela absorção dos nossos alimentos, e possui uma quantidade muito menor de bactérias comparativamente ao intestino grosso.

No intestino grosso, ou cólon, uma grande quantidade e diversidade bacteriana é um marcador de saúde gastrointestinal.

Quando ocorre supercrescimento de microrganismos no intestino delgado, seja bactérias (SIBO) ou arqueias (IMO), elas começam a competir com o hospedeiro, neste caso, VOCÊ!

Os alimentos que saem do seu estômago são digeridos pelas bactérias, antes mesmo que você os absorva, e nessa digestão bacteriana, conhecida como fermentação, ocorre a formação de gases, que são os responsáveis, em grande parte, pelos seus sintomas.

Os sintomas são excesso de gases, barriga inchada, eructações (arrotos), desconforto e dor abdominal, com alteração do trânsito intestinal.

A diarreia está mais associada com bactérias produtoras de gás hidrogênio, que ocorre em pacientes com SIBO, e a constipação com a formação de gás metano pelas arqueias, que ocorre nos pacientes com IMO.

Os dois gases podem ser produzidos simultaneamente em menor ou maior proporção e o trânsito intestinal pode variar. Cerca de 55% dos pacientes apresentam associação de SIBO e IMO.

O supercrescimento bacteriano, prejudicial ao intestino delgado, gera inflamação intestinal, tanto pela produção de citocinas inflamatórias, quanto pela presença maciça bacteriana.

 

Na inflamação, as células epiteliais intestinais se afastam levando ao leaky gut, que seria o intestino permeável. Com o intestino mais permeável, substâncias tóxicas que estavam dentro da luz intestinal, e que seriam eliminadas, extravasam para dentro da parede intestinal, caindo na nossa circulação sistêmica.

O extravasamento de substâncias tóxicas, de fragmentos alimentares mal digeridos e de bactérias que morrem diariamente na luz intestinal (LPS=lipopolissacarídeos) causa também uma resposta do nosso sistema imune.

A isso chamamos PROCESSO INFLAMATÓRIO CRÔNICO DE BAIXA INTENSIDADE!

Lembre-se, 80% do nosso sistema imune localiza-se no intestino!

O desequilíbrio da microbiota, a inflamação intestinal e o leky gut favorecem o aparecimento de muitas condições associadas, caso você apresente algumas, ou quase todas, seria interessante consultar com um gastroenterologista para avaliar a necessidade de realização do teste de hidrogênio expirado para provável diagnóstico de SIBO!

 

 

 

 

Condições associadas ao SIBO!

Muitos sinais e sintomas do SIBO estão associados ao intestino, outras condições já não possuem uma relação tão evidente com distúrbios da microbiota intestinal, e por isso o diagnóstico de SIBO fica prejudicado, às vezes, o paciente vem ao médico pelas condições associadas e o diagnóstico de SIBO se faz na sequência.

Se o paciente tinha um intestino sem queixas e seus problemas iniciam após uma intoxicação alimentar, gases, dor e diarreia, provavelmente o paciente desenvolveu Síndrome do Intestino Irritável – pós infecciosa, onde o intestino fica com alteração na movimentação intestinal e com isso, mais estase de bactérias e resíduos alimentares levando ao SIBO.

Se por qualquer motivo, o paciente necessita o uso de antibióticos, para tratar uma amigdalite ou uma infecção do trato urinário, por  exemplo, e sente melhora perceptível dos seus sintomas intestinais durante o seu uso, e piora após o término dos antibióticos, suspeitar de SIBO.

Se ao ingerir frutas, legumes, fibras ou comida fermentada houver piora, pode haver supercrescimento, essas bactérias adoram fermentar estes alimentos gerando gases e piorando os sintomas. Alimentos com açúcar, amido, ricos em histamina ou probióticos também pioram o quadro de SIBO.

 

 

A rosácea tem uma forte associação com o SIBO. Mais de 80% dos pacientes com rosácea tratados com antibióticos para SIBO, têm remissão de suas lesões de pele, sem tratamento tópico!

SIBO também tem relação com acne, prurido, eczema e psoríase.

Síndrome das pernas inquietas. Muitos estudos associam SIBO a síndrome das pernas inquietas e chegaram à conclusão que as deficiências nutricionais que ocorrem no SIBO, como falta de vitaminas e minerais, pode ser a razão para a manifestação das pernas inquietas.

E por um acaso, o tratamento proposto na literatura para síndrome das pernas inquietas é a reposição de nutrientes, o que reforça a conexão entre estas duas condições.

Problemas de tireoide estão associados à baixa acidez estomacal e diminuição da motilidade intestinal, dois fatores de risco para o supercrescimento bacteriano. O ácido gástrico é bactericida e a movimentação intestinal adequada impede a estase e crescimento bacteriano.

 

Sintomas de gases, distensão, diarreia ou constipação que iniciam após uso de antibióticos,

opióides (remédios para a dor), analgésicos, antiácidos e inibidores da bomba de prótons (“prazóis”), pensar em distúrbio microbiano, SIBO ou IMO.

Deficiências de vitaminas e minerais que permanecem após adequada suplementação e onde não foi encontrado um provável diagnóstico para tais deficiências. São pacientes com falta de complexo B (B1, B2, B3, B6 e principalmente B12), baixos níveis de ferro e ferritina, vitamina D, cálcio, potássio e magnésio.

Dificuldade em manter o peso, provavelmente pelas deficiências nutricionais.

Se você recebeu o  diagnóstico de intolerância à lactose ou ao glúten e após uma dieta completamente limpa, evitando glúten, leite e derivados ainda apresenta sintomas, investigar o SIBO!

 

 

 

 

Esses são alguns dos sintomas e condições associados ao SIBO. A inflamação intestinal que ocorre no SIBO, acaba gerando uma inflamação sistêmica, e por isso, muitas condições são associadas aos distúrbios microbianos.

Mas por hoje seria isso, fique atento às condições acima, e se caso, você apresentar alguma ou várias destas situações, vá ao seu gastroenterologista para avaliação da sua saúde intestinal.

 

 

Considerações importantes do artigo de hoje:

1. SIBO é um tipo de disbiose onde ocorre um desequilíbrio bacteriano com crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado.

2. As bactérias do SIBO levam à disbiose, inflamação e ao aumento da permeabilidade intestinal (leaky gut).

3. As consequências desta inflamação intestinal não se refletem somente através de sintomas intestinais, mas também através de sintomas e doenças sistêmicas.

4. Se você apresenta alguma  ou várias das situações acima , procure um gastroenterologista para investigação de SIBO através do teste de hidrogênio expirado!

5. Certifique-se de que o seu gastroenterologista tem uma visão ampliada sobre as conexões entre os vários órgãos e sistemas do nosso corpo, de nada adianta tratar os sintomas se a verdadeira causa dos seus problemas não for devidamente diagnosticada e tratada.

 

 

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Síndrome do Intestino Irritável Pós-infecciosa e SIBO

Dra.Loana Heuko Valiati // 10/03/2025

Categoria: SIBO, estômago, SII, intestino

 

 

 

Sabe o que significa comer em feirinhas de rua a hora que quiser, e o mais importante, o que desejar, sem ter que selecionar o que tem menos gordura, leite ou glúten? Viajar e experimentar qualquer prato típico sem medo algum, pois seu trato digestivo “aceita” qualquer coisa? Comer iFood quase todas as noites e dormir sem lembrar dos ingredientes através de gases, arrotos ou refluxo?

Sim, muitas pessoas vivem assim, na verdade elas nem percebem que têm um intestino funcionando dentro delas! Até a hora em que tudo muda!

Um belo dia, após uma intoxicação alimentar, seu intestino ficou diferente e os sintomas começaram a aparecer!

E esta data fica marcada, porque após este dia seu intestino nunca mais foi o mesmo!

Se isto aconteceu com você, acompanhe este artigo para entender o que aconteceu com o seu intestino!

 

 

Síndrome do Intestino Irritável

A Síndrome do Intestino Irritável Pós-infecciosa (SII-PI) é uma forma de Síndrome do Intestino Irritável (SII) causada por intoxicação alimentar.

Existem 3 tipos de SII:

– Síndrome do Intestino Irritável diarreia predominante (SII-D)

– Síndrome do Intestino Irritável constipação predominante (SII-C)

– Síndrome do Intestino Irritável diarreia e constipação, ou mista (SII-M)

A SII pós infecciosa é um tipo de SII, que pode ser tipo SII-D ou SII-M, importante que deve envolver a característica de hábito intestinal com diarreia. Se o paciente apresenta a SII-constipação, é muito pouco provável que tenha SII-pós infecciosa.

 

Uma causa de Síndrome do Intestino Irritável! (SII)

Eu não sei se você sabe, mas a SII não tem causa conhecida. É considerada uma doença de função, de alteração do eixo intestino-microbiota-cérebro, ou seja, a conversa do cérebro com o intestino é um pouco diferente.

O paciente apresenta barriga inchada, gases, alteração do trânsito intestinal e o aparecimento dos sintomas têm muita relação com o estado emocional.

Estes pacientes passam por uma longa e completa bateria de exames, de sangue, fezes e imagem, e quando seus resultados são todos normais, nada foi encontrado para justificar os seus sintomas, o paciente recebe o diagnóstico de SII.

O intestino está irritado, mas não sabemos o porquê!

É a Síndrome do Intestino Irritado! Portanto, um diagnóstico de exclusão.

 

Síndrome do Intestino Irritável pós- infecciosa!

 

 

O que se descobriu hoje, foi uma causa para a SII!

SII pós-infecciosa significa simplesmente SII causada por uma infecção gastrointestinal de origem alimentar, o que conhecemos por intoxicação alimentar.

O paciente refere claramente que após uma alimentação fora de casa ou ingestão de alimentos mal conservados, apresentou quadro de dores, enjoos, vômitos, diarreia, e depois que este episódio agudo, de gastroenterite passou, infelizmente, o intestino NUNCA mais foi o mesmo!

O paciente vai ao gastroenterologista, faz vários exames, e todos eles com resultado normal! E recebe o diagnóstico de SII, neste caso, pós-infecciosa porque iniciou após uma infecção digestiva de origem alimentar!

Tudo bem até aqui? Vamos prosseguir!

Mas será que isso é comum, nunca escutei sobre SII-pós infecciosa!

Um trabalho de revisão, com mais de 45 estudos realizado na Clínica Mayo, verificou que 1 em cada 9 pacientes que apresentaram intoxicação alimentar desenvolveram SII com predomínio de diarreia. (SII-pós infecciosa)

E como saber se é um caso de SII pós infecciosa?

Ótima pergunta! Hoje, existem marcadores cientificamente validados no sangue para esta pesquisa. Infelizmente, ainda não disponíveis no Brasil.

Mas vamos entender um pouquinho sobre este exame, como ele funciona!

 

Quando ocorre uma intoxicação gastrointestinal de origem alimentar, provavelmente, as bactérias mais comumente envolvidas são: E.coli, C. jejuni, Shigella e Salmonella, talvez esta última a mais conhecida.

Estes microrganismos apresentam uma toxina, comum a todos eles, a toxina distensora citoletal, a Cdt-B. No processo infeccioso, o nosso organismo reconhece esta toxina como estranha e perigosa e monta uma reação contra ela. É o sistema imune fazendo o seu papel.

Só temos um probleminha aqui, esta toxina é muito, mais muito parecida com uma pequena parte do nosso intestino, na verdade, a toxina se parece com a célula Intersticial de Cajal, que faz parte do MMC, Complexo Mioentérico Motor.

Resumindo: a toxina é muito semelhante a células que fazem parte do sistema nervoso intestinal!

E quando os anticorpos contra a toxina são formados, eles atacam não somente a toxina, mas também os nervos do intestino. E dependendo da intensidade deste ataque, ficamos com uma lesão na parte nervosa do intestino, o que pode levar à falta de motilidade intestinal!

 

 

 

 

Sintomas de SII-pós infecciosa

Após o quadro agudo de intoxicação alimentar o paciente continuará a apresentar alguns sintomas. Estes sintomas podem ocorrer na sequência do evento agudo até muitos anos depois. E às vezes os pacientes nem fazem ligação com o quadro de intoxicação alimentar.

O paciente apresentará diarreia crônica do tipo dominante (SII-D) ou do tipo misto (SII-M). O padrão de evacuação pode ser de fezes amolecidas, ou diarreia, intercalando com períodos normais ou de constipação. Gases podem fazer parte do quadro de sintomas, assim como desconforto ou dor abdominal.

 

Qual a relação entre SII-pós infecciosa e SIBO?

Se você é um SiboAMigo, e me acompanha por aqui, já leu em outros artigos sobre a motilidade intestinal e supercrescimento de microrganismos, certo?

Quando nosso intestino não funciona bem, quando ocorre déficit na movimentação intestinal, isso gera estase, tanto de resíduos alimentares quanto de bactérias, e isso, favorece o supercrescimento!

Quando o intestino sofre a agressão de bactérias que levam a infecção gastrointestinal, pode ocorrer lesão dos nervos intestinais, e dependendo da magnitude desta lesão, ocorre diminuição da motilidade intestinal.

Importante! O grau de lesão da parede do intestino nem sempre é proporcional aos sintomas do paciente durante a intoxicação alimentar, às vezes, a infecção gastrointestinal é leve e a lesão dos nervos do intestino é grande, e vice-versa.

 

SIBO em pacientes com SII-pós infecciosa

E agora o que fazer? Muitos pacientes descobrem que têm SII-PI após o diagnóstico de SIBO. Sempre que o paciente testa positivo para SIBO no teste de hidrogênio temos que buscar o motivo pelo qual o intestino dele não está funcionando bem e, por isso, permitiu que o supercrescimento ocorresse.

Você sabe que sou a favor de buscar, sempre, a raiz do problema, tratar SIBO com antibióticos somente, é muito fácil, mas se a causa não for tratada o paciente ficará exposto a vários episódios de SIBO e a muitos tratamentos com antibióticos, que se em excesso, o próprio remédio poderá prejudicar o paciente.

 

 

 

 

E os exames diagnósticos para SII-pós infecciosa e SIBO?

Para diagnóstico de SIBO temos o teste respiratório de hidrogênio expirado, um teste realizado à nível ambulatorial, que não exige sedação ou um grande preparo.

Já para o diagnóstico de SII-PI temos os exames de sangue que medem a quantidade de anticorpos formados contra os nervos do nosso intestino, são dois os marcadores, anticorpo anti Cdt-B (toxina distensora citoletal Cdt-B) e o anticorpo anti-vinculina, ambos indisponíveis até o atual momento no Brasil.

E como fazemos este diagnóstico então? Por hora somente com os sintomas do paciente e o histórico de intoxicação alimentar. Nem sempre o paciente lembrará de ter passado por uma infecção intestinal, como comentei anteriormente, os sintomas podem aparecer muito tempo depois, e pode haver dificuldade em correlacionar a intoxicação alimentar com os sintomas atuais. Mesmo porque os sintomas da intoxicação que ocorreram na época, podem ter sido leves ou passageiros.

Na verdade, a maior parte das pessoas apresenta os sintomas de SII-PI e/ou SIBO em um período breve, mas caso isso não ocorra, os sintomas que aparecem mais tardiamente podem ficar sem diagnóstico e tratamento correto.

 

 

 

 

Qual seria o tratamento?

Nos casos de SIBO temos um supercrescimento bacteriano no intestino delgado, e o tratamento seria com antibióticos para reduzir a população bacteriana, suplementos para desinflamar o intestino e corrigir as deficiências nutricionais, e plano alimentar, pode ser a dieta low FODMAP, que ajuda na redução dos sintomas, na desinflamação e na recolonização do intestino com boas bactérias.

Você poderá acessar outros artigos da plataforma que abordam de forma mais profunda o tratamento para o SIBO.

E no caso de SII-PI o que fazer?

Há tratamento para a lesão dos nervos da parede intestinal? Infelizmente não temos tratamento para isso, o que seria indicado e de muito auxílio seria o uso de procinéticos que podem ajudar na movimentação intestinal.

 

 

Considerações finais sobre o artigo de hoje:

1. A SII não tem causa conhecida, somente o tipo SII-pós infecciosa, que ocorre após um episódio de intoxicação alimentar.

2. A SII-PI leva à formação de autoanticorpos detectáveis em exames de sangue específicos, atualmente, indisponíveis no Brasil.

3. SIBO pode ocorrer nos pacientes com SII-PI.

4. Para o diagnóstico de SIBO é necessário realizar o teste de hidrogênio expirado.

5. Diagnosticar SIBO/SII-PI corretamente é fundamental para um tratamento adequado e acompanhamento de futuras complicações.

 

 

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Supercrescimento Metanogênico Intestinal!

Dra.Loana Heuko Valiati // 22/02/2025

Categoria: IMO, intestino

 


Até pouco tempo atrás não ouvíamos falar sobre os distúrbios microbianos, que são os super crescimentos de microrganismos no nosso intestino.

Tínhamos inclusive, a ideia de que quanto mais bactéria melhor, pois sempre escutamos o seguinte conselho: “comer mais fibra, para aumentar a quantidade de bactérias no intestino”!

Agora, muita bactéria no intestino pode ser ruim…

Mas fica tranquilo, já vou te explicar essa situação!

No intestino grosso, um marcador de saúde é a presença de grande quantidade e diversidade bacteriana, essas bactérias estão em simbiose com o ser humano. Os resíduos alimentares, do nosso processo de digestão e absorção, caminham para o intestino grosso onde são fermentados por bactérias colônicas.

Os subprodutos desta fermentação são benéficos para nossa saúde, a partir da digestão bacteriana são produzidas substâncias anti-inflamatórias, antioxidantes e anticancerígenas! E isso é maravilhoso não só para a saúde intestinal, mas para nossa saúde sistêmica!

Entendeu a parceria? Gentilmente cedemos moradia e resíduos alimentares, as fibras da nossa dieta, e em troca as bactérias produzem substâncias protetoras à nossa saúde!

O problema começa quando, por algum motivo, estas mesmas bactérias benéficas, “migram” para o intestino delgado! O motivo desta migração será discutido adiante.

 

Vou abrir um breve parênteses para explicar a função do intestino delgado. Ao contrário do cólon (intestino grosso), responsável basicamente pela absorção de água e reservatório fecal, o intestino delgado é um órgão de 6 a 7 metros de comprimento destinado à absorção dos alimentos.

Aqui ocorre a grande “mágica”, tudo que precisamos para manutenção do nosso organismo é absorvido no intestino delgado: substâncias para a formação de hormônios, neurotransmissores, enzimas, vitaminas, minerais e nutrientes!

Em relação à quantidade de microrganismos, podemos dizer que o intestino delgado não possui uma colonização bacteriana densa como o intestino grosso! Isso por algum motivo, já imaginou qual seria?

Muito bem! Se há uma grande colonização bacteriana no intestino delgado, começa uma competição entre bactérias e o hospedeiro, no caso você, pelos alimentos que saem do estômago e entram no intestino delgado.

 

Quando alimentamos as bactérias que residem lá no cólon, tudo bem, são nossos resíduos, mas quando elas estão em grande número no intestino delgado, ou seja, dentro do nosso órgão de absorção, o assunto já é outro.

E no processo de alimentação bacteriana ocorrendo no delgado, que chamamos de fermentação, há formação de gases e deficiência de nutrientes!

Lembrando que a fermentação é um processo normal que ocorre no intestino delgado, mas nestes casos de supercrescimento ela ocorre de maneira excessiva.

E aqui já temos a explicação para os seus sintomas! Quanto mais gases, quanto mais distensão e desconforto, mais bactérias você tem no seu intestino, fermentando os seus alimentos antes mesmo que você os absorva!

Neste caso, as mesmas bactérias amigas lá do intestino grosso, agora são bactérias concorrentes no intestino delgado!

Esse é o supercrescimento de bactérias no intestino, SIBO!

 

 

 

E o que seria o IMO?

No passado, o diagnóstico de SIBO ou Supercrescimento Bacteriano do Intestino Delgado era usado como um diagnóstico geral. SIBO é uma sigla que deriva do inglês: Small Intestinal Bacterial Overgrowth, sendo o “B” referência às bactérias somente.

No entanto, na época em que começaram os estudos sobre os super crescimentos de microrganismos intestinais, realmente acreditava-se que somente as bactérias estavam em desequilíbrio no intestino, não levavam em consideração outros microrganismos.

Posteriormente, com os avanços tecnológicos, foi possível identificar a presença de outro microrganismo, pertencente ao domínio das Arqueias. Arqueias são parentes das bactérias, mais especializadas. E por isso outro nome apareceu na linguagem das condições que afetam o nosso intestino, e assim surgiu outra sigla: IMO!

 

Supercrescimento metanogênico intestinal!

 

 

Quais são os sintomas do IMO?

O supercrescimento de arqueias também ocorre no intestino delgado, saem do cólon e ocupam o nosso órgão de absorção, exatamente igual ao que ocorre no SIBO.

E sintomas como excesso de gases, grande distensão e dores abdominais podem ocorrer. A diferença está no tipo de gás produzido, as bactérias produzem o gás hidrogênio a partir da fermentação das fibras alimentares, já as arqueias produzem outro gás, o gás metano.

E o que isto impacta na clínica, nos sintomas do paciente? O gás metano está muito relacionado com a constipação intestinal, ele “paralisa” o intestino, dificultando a sua movimentação, e assim, o paciente pode apresentar quadros mais significativos de constipação. Em contrapartida, o hidrogênio produzido no SIBO, leva a maior tendência de diarreia.

Casos associados de SIBO e IMO são frequentes, cerca de 55% dos casos de distúrbios microbianos, e com isso, pode haver uma mistura de gases produzidos no intestino, levando à alterações no trânsito intestinal.

Pacientes com IMO podem apresentar qualquer combinação ou gravidade de sintomas digestivos. Além dos mencionados anteriormente, também podem ocorrer náuseas, fadiga, dores articulares ou musculares e problemas de pele.

 

 

 

 

O que a IMO faz no seu corpo?

Altos níveis de arqueas no intestino podem causar má absorção, impedindo o corpo de utilizar os nutrientes adequadamente. As arqueias também competem pelos alimentos liberados pelo estômago, exatamente como as bactérias do SIBO.

As arqueas, assim como as bactérias, gostam de comer carboidratos!

Esta fermentação dos carboidratos da dieta causa danos às células do trato intestinal, causando um ” intestino permeável ” ou o leaky-gut e/ou a síndrome de má absorção, com deficiências nutricionais, principalmente ferro e complexo B.

 

 

O principal organismo no corpo humano que causa IMO é o Methanobrevibacter smithii. Este organismo que agora entendemos melhor, utiliza o gás hidrogênio (H2) produzido de outros organismos, como Ruminococcus e Chrisensenella e o consome para fazer seu gás metano.

Este gás metano (CH4) causa danos a alguns nervos do intestinos, o que reduz ainda mais o tempo de trânsito/motilidade (tempo que o alimento leva para chegar da boca ao intestino), o que por sua vez causa mais danos, sintomas e CONSTIPAÇÃO!

 

 

 

 

Quem pode ter IMO?

Embora qualquer pessoa possa apresentar o IMO, pesquisas constataram que alguns grupos de pessoas têm maior predisposição do que outros. Indivíduos com diagnóstico de Síndrome do Intestino Irritável (SII) têm maior probabilidade de apresentar IMO. Cerca de 70% dos portadores de SII têm IMO/SIBO.

Outras condições que podem favorecer o IMO:

  • Patologias que causam alterações anatômicas e/ou estruturais dentro do trato intestinal: como divertículos, estenoses, cirurgias bariátricas, aderências ou bridas de cirurgias abdominais, fístulas (mais comuns em doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa), doença celíaca.
  • Distúrbios de motilidade do trato digestivo como resultado de gastroparesia (estômago que não se movimenta adequadamente), ou outras doenças que podem afetar o complexo motor migratório (MMC), este que é o marcapasso intestinal.
  • Doenças metabólicas, como diabetes mellitus tipo 2, ou hipocloridria (baixo ácido estomacal).
  • Outras doenças, como doenças hepáticas e renais, pancreatite, insuficiência pancreática exócrina (IPE), desnutrição.
  • Medicamentos como antibióticos e medicamentos que suprimem a produção de ácido estomacal, como inibidores da bomba de prótons e bloqueadores H2.
  • A população idosa também tem um risco maior de desenvolver o IMO.

 

 

 

Considerações importantes deste artigo!

1. SIBO significa supercrescimento de BACTÉRIAS produtoras de gás hidrogênio.

2. IMO significa supercrescimento de ARQUEIAS produtoras de gás metano.

3. Os sintomas de SIBO/IMO são semelhantes, com distensão abdominal, gases, desconforto ou dores abdominais, eructações (arrotos).

4. SIBO tem maior tendência a causar diarreia, e IMO a causar  constipação.

5. O diagnóstico é realizado através do mesmo exame: teste respiratório de Hidrogênio e Metano expirados!

6. Importante: alguns serviços de gastroenterologia ainda não possuem o aparelho com medição de gás metano, certifique-se antes de agendar o exame!

 

 

]]> https://sibo.viralbedigital.com.br/voce-sabe-o-que-e-imo/feed/ 0 Síndrome de Ehlers-Danlos https://sibo.viralbedigital.com.br/sindrome-de-ehlers-danlos/ https://sibo.viralbedigital.com.br/sindrome-de-ehlers-danlos/#respond Sat, 09 Aug 2025 23:00:15 +0000 https://curso.siboamigo.com.br/?p=4047 Síndrome de Ehlers-Danlos: muito além da hipermobilidade articular!

Doença do colágeno que atinge o sistema digestivo.

Dra.Loana Heuko Valiati // 01/04/2025

Categoria: intestino, leaky gut, SED

 

 

O que é a Síndrome de Ehlers-Danlos?

A Síndrome de Ehlers-Danlos (SED) é um grupo de doenças genéticas do tecido conjuntivo que afetam principalmente a produção e a estrutura do colágeno, uma proteína fundamental para a sustentação da pele, articulações, vasos sanguíneos e órgãos.

Existem vários subtipos de SED, atualmente 13 tipos, sendo o mais comum o tipo hipermóvel, que geralmente se manifesta com articulações muito flexíveis, dores crônicas e outros sintomas que impactam a qualidade de vida.

Por se tratar de uma condição hereditária, os sintomas geralmente estão presentes desde a infância ou adolescência, embora muitas pessoas só recebam o diagnóstico na vida adulta.

 

Sintomas e manifestações clínicas da SED

A SED é uma condição complexa e com manifestações variadas. Os sinais mais característicos incluem hipermobilidade articular (capacidade de dobrar as articulações além do normal), dor musculoesquelética crônica, fadiga persistente, luxações e entorses frequentes, pele hiperextensível (mais elástica que o normal) e hematomas que surgem com facilidade.

 

 

Outros sintomas podem envolver problemas gastrointestinais, dificuldades respiratórias, hipotensão postural, prolapso de válvulas cardíacas e distúrbios de regulação autonômica, como a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS).

Relação com o sistema gastrointestinal!

As pessoas com SED frequentemente apresentam sintomas gastrointestinais como refluxo, distensão abdominal, constipação, diarreia, náuseas e sensação de esvaziamento gástrico lento.

O colágeno faz parte do tecido conjuntivo, que está presente nos músculos e articulações, e também na estrutura do trato gastrointestinal, quando ocorre alteração na produção ou estrutura do colágeno, pode haver prejuízo na motilidade e integridade do trato digestivo.

As paredes dos órgãos ficam mais flácidas, com movimentação e acomodação alimentar alteradas. O alimento demora mais para escoar do estômago, os resíduos alimentares e bactérias permanecem mais tempo no intestino.

 

 

Isso favorece uma maior probabilidade de condições como disbiose, SIBO (supercrescimento bacteriano no intestino delgado) e intestino permeável (leaky gut), que são mais prevalentes entre pacientes com SED, contribuindo para um ciclo de inflamação intestinal e intolerâncias alimentares.

 

Associação com outras condições

A SED não ocorre isoladamente. É comum que pessoas com esse diagnóstico também apresentem outras condições crônicas, como a já mencionada POTS, intolerância à histamina, Síndrome de Ativação Mastocitária (SAM), alergias alimentares, enxaquecas e distúrbios de ansiedade.

Essa sobreposição de síndromes é conhecida como comorbidade e pode tornar o diagnóstico e o tratamento mais desafiadores, exigindo uma abordagem multidisciplinar e individualizada.

 

 

Por isso, o reconhecimento de padrões clínicos e uma escuta atenta ao histórico do paciente são essenciais.

 

Diagnóstico e desafios clínicos

O diagnóstico da SED ainda é um desafio na prática clínica, especialmente no tipo hipermóvel, que não possui um marcador genético específico conhecido. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios estabelecidos, que incluem avaliação da hipermobilidade com o escore de Beighton, análise do histórico familiar e exclusão de outras doenças reumatológicas.

(clique aqui para receber o teste de Beighton)

Os subtipos mais raros, como o vascular e o clássico, podem ser confirmados por testes genéticos. Infelizmente, a falta de conhecimento entre os profissionais de saúde contribui para o subdiagnóstico ou para diagnósticos equivocados, muitas vezes rotulados como fibromialgia, ansiedade ou queixas psicossomáticas.

 

 

Manejo e tratamento

Não há cura para a Síndrome de Ehlers-Danlos, mas o tratamento pode aliviar significativamente os sintomas e melhorar a qualidade de vida. A abordagem terapêutica envolve acompanhamento com fisioterapeutas especializados em reabilitação articular, fortalecimento muscular com atividades de baixo impacto, controle da dor com medidas farmacológicas e não farmacológicas, e intervenções nutricionais para apoiar a saúde intestinal e reduzir inflamações.

O suporte psicológico é fundamental, já que muitos pacientes enfrentam dificuldades emocionais devido à cronicidade dos sintomas e à demora no diagnóstico.

 

Conclusões finais

1. A SED é uma condição genética do tecido conjuntivo que afeta articulações, pele, vasos e órgãos.

2. O tipo hipermóvel é o mais comum e pode causar dor crônica, fadiga e instabilidade articular.

3. Distúrbios gastrointestinais como SIBO, disbiose e intestino permeável são frequentes em pacientes com SED.

4. A síndrome frequentemente se associa a outras condições, como POTS, SAM e intolerância à histamina.

5. O diagnóstico é clínico e requer conhecimento específico e atenção aos sintomas múltiplos.

6. O tratamento é multidisciplinar, focado em fisioterapia, suporte nutricional, controle da dor e acompanhamento psicológico.

7. Com suporte adequado, é possível melhorar a qualidade de vida mesmo em condições crônicas e complexas como a SED.

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Síndrome de Ativação Mastocitária (SAM) https://sibo.viralbedigital.com.br/sindrome-de-ativacao-mastocitaria-sam/ https://sibo.viralbedigital.com.br/sindrome-de-ativacao-mastocitaria-sam/#respond Sat, 09 Aug 2025 22:49:00 +0000 https://curso.siboamigo.com.br/?p=4034 Síndrome de Ativação Mastocitária (SAM): Quando o Sistema Imunológico entra em Alerta Constante!

80% do nosso sistema imune reside no intestino.

Dra.Loana Heuko Valiati // 05/05/2025

Categoria: intolerância à histamina, SAM, intestino

 

 

O que é a SAM e qual sua relação com os mastócitos?

A Síndrome de Ativação Mastocitária (SAM) é uma condição caracterizada pela ativação anormal e excessiva dos mastócitos — células do sistema imunológico que estão presentes em diversos tecidos, especialmente na pele, trato gastrointestinal e vias respiratórias.

Os mastócitos normalmente reagem em nossa defesa frente à situações que nos colocam em perigo, mas no caso da SAM, os mastócitos são altamente sensíveis, liberando suas substâncias químicas em situações inofensivas, sem um agente agressor, e nas condições em que o nosso corpo realmente necessita uma ação anti-inflamatória e protetiva, sua reação pode ser exagerada, resultando em sintomas sistêmicos e, muitas vezes, debilitantes.

Mais de 1000 substâncias químicas já foram identificadas dentro dos grânulos mastocitários, são os chamados mediadores químicos, como a histamina, prostaglandinas e citocinas, que participam de respostas inflamatórias e alérgicas.

 

O papel da histamina e de outros mediadores inflamatórios

A histamina é um dos principais mediadores envolvidos na SAM. Quando liberada em excesso, pode provocar sintomas como coceiras, rubor, pressão baixa, taquicardia, diarreia, dores de cabeça e crises de ansiedade.

Outros mediadores, como as prostaglandinas e leucotrienos, contribuem para sintomas como dor abdominal, fadiga crônica, náuseas, confusão mental e intolerâncias alimentares.

Essa ativação descontrolada pode afetar múltiplos sistemas do organismo, gerando sintomas diversos e muitas vezes intermitentes, o que torna o diagnóstico desafiador.

Muitas vezes o paciente procura por um cardiologista para checar a taquicardia, um dermatologista para checar as coceiras e alergias, um neurologista para checar ansiedade e insônia, mas o profissional que olhar para o paciente como um todo, avaliar suas queixas desde a infância, e conectar a seu histórico passado e atual com a histamina, este sim, será capaz de fechar o diagnóstico da SAM.

 

 

E assim, sua saúde e sua vida começam de verdade!

 

Quais são os sintomas da SAM?

A apresentação clínica da SAM é extremamente variável e pode envolver praticamente qualquer sistema corporal. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Pele: urticária, prurido, rubor facial, dermatografismo (é uma condição benigna onde a pele reage exageradamente a estímulos físicos, como pressão ou atrito, formando vergões avermelhados e elevados no local da pressão);
  • Gastrointestinal: distensão, diarreia, cólicas, náuseas, refluxo;
  • Cardiovascular: hipotensão, taquicardia, síncopes (desmaios);
  • Respiratório: congestão nasal, asma, chiado no peito;
  • Neurológico: névoa mental, dores de cabeça, ansiedade, insônia.

Muitos desses sintomas são confundidos com outras condições como alergias, intolerâncias alimentares, fibromialgia, disautonomias e transtornos de ansiedade e síndrome do intestino irritável.

O paciente provavelmente apresentará várias crises ao longo da sua vida, e todas elas podem apresentar sintomas variados a cada episódio. Em um episódio apresenta crises de rinite e alergias, em outro dores de cabeça e refluxo, com intensidade que pode ser variável também.

 

 

Relação com outras condições: SIBO, disbiose e intolerância à histamina!

A SAM frequentemente coexiste com distúrbios gastrointestinais como o SIBO (supercrescimento bacteriano do intestino delgado), que pode desencadear uma ativação crônica de mastócitos por estímulo inflamatório contínuo.

A disbiose intestinal (desequilíbrio de bactérias no intestino) e o aumento da permeabilidade intestinal (“leaky gut”) também podem estimular a liberação de mediadores mastocitários, contribuindo para a perpetuação do quadro.

Cerca de 80% do nosso sistema imune reside no intestino e qualquer condição que inflame o intestino, SIBO, IMO (supercrescimento de arqueis produtoras de metano), SIFO (supercrescimento fúngico intestinal), parasitoses e outras doenças do intestino, são capazes de ativar o mastócito.

 

Toda doença que ocorre no intestino, com certeza, é um potencial desencadeador de SAM!

 

 

Em muitos pacientes, a intolerância à histamina é um dos primeiros sinais clínicos da desregulação mastocitária, sendo comum que ambas as condições se sobreponham.

 

Diagnóstico: um desafio clínico!

O diagnóstico da SAM ainda é clínico, muitas vezes de exclusão, pois não há um único exame específico e definitivo. Critérios diagnósticos incluem:

  • Presença de sintomas compatíveis com ativação mastocitária em dois ou mais sistemas; (clique aqui para receber uma lista de todos os órgãos acometidos pela SAM e seus respectivos sintomas)
  • Resposta a medicamentos que bloqueiam a liberação ou ação dos mediadores dos mastócitos (como anti-histamínicos);
  • Elevação de marcadores laboratoriais (triptase, prostaglandina D2, histamina plasmática ou urinária) durante crises.

Como os sintomas podem variar muito de intensidade e localização, é comum que pacientes levem anos até receberem um diagnóstico correto.

 

 

Tratamento da Síndrome de Ativação Mastocitária

O tratamento da SAM envolve múltiplas abordagens e deve ser individualizado. As estratégias incluem:

  • Bloqueio da histamina: uso de anti-histamínicos H1 (como loratadina, fexofenadina) e H2 (como ranitidina ou famotidina);
  • Estabilizadores de mastócitos: como cromoglicato de sódio e quercetina;
  • Inibidores de leucotrienos: como montelucaste;
  • Dieta baixa em histamina: por tempo limitado, focando na identificação de gatilhos alimentares;
  • Suporte intestinal: tratar disbiose, SIBO e melhorar a integridade da mucosa intestinal com probióticos, prebióticos e nutrientes anti-inflamatórios. 

 

 

 

A abordagem integrativa e o acompanhamento por profissionais experientes são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com SAM.

 

Considerações importantes deste artigo:

1. A SAM é causada por uma ativação exagerada e disfuncional dos mastócitos.

2. Os sintomas são diversos, envolvem múltiplos sistemas e variam de pessoa para pessoa.

3. A histamina é um dos principais mediadores envolvidos, gerando sintomas semelhantes a alergias e intolerâncias.

4. A condição está frequentemente associada a doenças intestinais como disbiose e SIBO.

5. O diagnóstico é clínico e exige conhecimento especializado, além de uma boa escuta ao paciente.

6. O tratamento é multifatorial, combinando medicações, dieta e suporte à saúde intestinal.

7. Com o manejo adequado, é possível controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.

8. Certifique-se de estar acompanhado de um gastroenterologista experiente no atendimento das doenças da microbiota intestinal e doenças crônicas do intestino como a SAM! O diagnóstico e tratamento correto mudam a sua qualidade de vida!

 

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SIBO pode causar fadiga crônica! https://sibo.viralbedigital.com.br/sibo-pode-causar-fadiga-cronica/ https://sibo.viralbedigital.com.br/sibo-pode-causar-fadiga-cronica/#respond Sat, 09 Aug 2025 22:38:07 +0000 https://curso.siboamigo.com.br/?p=4020 SIBO pode causar fadiga crônica!

Sempre cansado? Olhe para seu INTESTINO!
Dra.Loana Heuko Valiati // 15/01/2025

Categoria: SIBO, fadiga crônica

 

 

Muitas pessoas se sentem cansadas o tempo todo, independentemente do horário do dia ou da atividade que está sendo realizada. As consultas ao médico e à vários especialistas já se tornaram rotina para tentar descobrir o que traz essa sensação de esgotamento, de exaustão, fadiga pós- exercício e falta de performance mental tão impactantes na sua rotina, onde algumas atividades são até canceladas ou realizadas sem o mínimo ânimo.

Com certeza você já passou por várias investigações, avaliaram sua tireoide, talvez um hipotireoidismo, ou sua adrenal, talvez uma estafa por excesso de trabalho ou estresse, e seus hormônios sexuais, com certeza, também foram avaliados. E quando foi constatado que tudo estava normal, você foi mandado para casa sem as respostas que precisava.

Saiba que muitas pessoas passam pelo que você está passando neste exato momento, é a Síndrome da Fadiga Crônica, e que recentemente foi associada a problemas intestinais, como por exemplo, o supercrescimento de bactérias no intestino delgado (SIBO) ou o supercrescimento fúngico intestinal (SIFO).

 

 

Mas, será que o seu intestino pode ser o responsável pela fadiga?

O intestino delgado é o principal órgão responsável pela completa digestão e absorção dos alimentos, tudo que precisamos para nutrir, toda e qualquer célula do nosso corpo, deve passar pelo epitélio intestinal saudável.

A microbiota intestinal, que são os trilhões de microrganismos que vivem no nosso intestino, também influenciam a nossa saúde digestiva e sistêmica.

As bactérias ajudam na quebra e absorção dos alimentos, sintetizam vitaminas, ajudam no controle hormonal, conversam de forma positiva com o nosso sistema imune, mantendo o ambiente intestinal desinflamado e livre de infecções.

No SIBO (supercrescimento de bactérias no intestino delgado), ocorre uma disbiose, um desequilíbrio bacteriano, com uma grande quantidade de bactérias em um órgão que não está preparado para uma colonização bacteriana densa.

 

 

O intestino delgado recebe os alimentos pré-digeridos do estômago e após liberação de enzimas pancreáticas e secreções biliares, completa a digestão, e assim, ocorre a absorção dos nutrientes e vitaminas.

No supercrescimento, as bactérias competem com o hospedeiro, sim, você! Elas fermentam os alimentos antes mesmo que você os absorva, e a fermentação leva à produção de gases, que geram os seus sintomas de inchaço, dor e alteração no trânsito intestinal.

Mas, outra consequência muito importante,e às vezes subdiagnosticada, é a falta de nutrientes. Neste processo de digestão bacteriano, ou seja, fermentação, as bactérias também roubam nutrientes, como ferro, zinco, magnésio, vitamina D e complexo B.

A mucosa intestinal inflamada, pela presença das bactérias, também apresenta dificuldades em absorver os nutrientes de forma adequada.

Na evolução da disbiose o paciente poderá apresentar o leaky gut, ou aumento de permeabilidade intestinal. Importante você entender o leaky gut para falarmos sobre fadiga.

O leaky gut ocorre pela presença excessiva de bactérias no SIBO, e devido às substâncias inflamatórias que elas produzem. Estas citocinas inflamatórias, em contato com a parede intestinal, levam a um afrouxamento entre as células intestinais, “intestino gotejante”, mais permeável, que permite que substâncias tóxicas e partícula alimentares parcialmente digeridas, passem para a sua circulação sanguínea.

Lembre-se: essas substâncias nocivas circulam por todo o seu corpo!

 

SIBO e fadiga!

Então, se você tem SIBO, você apresenta disbiose (diminuição das boas bactérias), aumento da permeabilidade intestinal (leaky gut), substâncias tóxicas circulando no seu corpo e deficiências nutricionais.

O seu sistema imune, 70% localizado no intestino, neste momento também se encontra sobrecarregado, envolvido em um processo inflamatório desgastante e diário, que chamamos de inflamação crônica de baixa intensidade.

Quando se trata de SIBO e fadiga crônica, vários estudos já encontraram diferenças significativas na microbiota intestinal em pacientes com fadiga daqueles que não sofrem com esta condição.

Assim como o SIBO, o SIFO (supercrescimento fúngico intestinal) também está associado à síndrome da fadiga crônica.

As bactérias e os outros microrganismos que vivem no nosso intestino influenciam em tudo, desde a forma como absorvemos alimentos, resposta do nosso sistema imunológico, nosso metabolismo e controle hormonal, nossa capacidade de resistir à infecções e também influencia a forma como nos sentimos!

Quando o nosso intestino apresenta um distúrbio microbiano como SIBO, os sintomas não se restringem somente ao intestino, como gases, dores abdominais, inchaço, diarreia ou constipação.

 

 

SIBO também causa efeitos que são sistêmicos, decorrentes do leaky gut, da inflamação crônica e da deficiência nutricional, e assim, o cansaço crônico pode se manifestar!

Todo paciente que recebo com queixas de cansaço físico e/ou mental, são investigados através do teste de hidrogênio expirado para provável diagnóstico de SIBO!

SIBO é muito mais comum do que se imagina, e infelizmente, muito pouco diagnosticado!

O intestino pode ser fonte de sintomas sistêmicos e inespecíficos que diminuem muito a sua qualidade de vida! Avaliar a saúde intestinal faz parte de um atendimento que compreende a conexão entre nossos órgãos e sistemas, e avalia o paciente como um todo.

 

A fadiga não é o único sintoma…

Quando ocorre disbiose e inflamação intestinal, como no caso de SIBO, a fadiga pode ser um sintoma importante que afeta diretamente o dia-a-dia do paciente, mas outros sinais e sintomas também podem se manifestar:

– Dores articulares e musculares

– Fibromialgia

– Enxaquecas e dores de cabeça

– Problemas na pele

– Alteração no humor

– Ansiedade ou depressão

– Insônia

– Falta de foco e concentração

– Problemas de memória

– Imunidade comprometida: sinusite ou rinite, infecções do trato urinário ou candidíase de repetição.

 

 

Considerações importantes sobre FADIGA e SIBO!

1. SIBO é muito mais comum do que se imagina, mas infelizmente subdiagnosticado.

2. Se você apresenta sintomas gerais e inespecíficos, em todo o seu corpo, que não respondem a tratamentos convencionais, pense no INTESTINO!

3. Chegou a hora de avaliar este órgão tão importante!

4. Para o diagnóstico de SIBO realizar o teste de hidrogênio expirado.

5. Fadiga crônica é outro sintoma pouco entendido e desvalorizado por alguns médicos.

6. Existem várias causas para a fadiga crônica, certifique-se de estar acompanhado por um médico que faça uma avaliação completa, avaliando todos os seus sistemas, sem esquecer de abordar de forma adequada o trato digestivo!

 

]]> https://sibo.viralbedigital.com.br/sibo-pode-causar-fadiga-cronica/feed/ 0 SIBO e hipotireoidismo! https://sibo.viralbedigital.com.br/sibo-e-hipotireoidismo/ https://sibo.viralbedigital.com.br/sibo-e-hipotireoidismo/#respond Sat, 09 Aug 2025 22:32:51 +0000 https://curso.siboamigo.com.br/?p=4007 SIBO e hipotireoidismo!

Como o intestino e a tireoide se conectam!

Dra.Loana Heuko Valiati // 28/01/2025

Categoria: SIBO, tireoide

Antes de abordarmos essa importante conexão entre o intestino e a tireoide, faremos uma breve revisão de alguns pontos importantes para que você possa entender o artigo de hoje melhor!

Principalmente após a última década, muitos estudos foram publicados sobre o intestino e microbiota intestinal, definida como os trilhões de microrganismos que vivem no nosso intestino e nos conferem saúde intestinal e também sistêmica.

Isso porque o intestino e a microbiota são responsáveis pela digestão e absorção de alimentos, enviando nutrientes para toda e qualquer célula do nosso organismo, as bactérias sintetizam vitaminas como vitamina B e K, auxiliam na formação de neurotransmissores, modulam nosso sistema imune, 80% das células do nosso corpo todo se concentram na parede intestinal, controlam a eliminação de certos hormônios e portanto controlam a quantidade de estrogênio total do nosso corpo, ajudam na eliminação de toxinas e influenciam o metabolismo de glicose e colesterol.

Devido a estas funções e grande influência sobre vários órgãos e sistemas, entendemos que o intestino “conversa” com várias partes do nosso corpo, chamamos de eixos, então temos o eixo intestino-microbiota-cérebro, eixo intestino microbiota-pele, eixo intestino-microbiota-tireoide a por aí vai.

A verdade é que se o intestino não estiver bem, se a microbiota estiver em disbiose, em desequilíbrio, nosso corpo todo sofrerá com vários sintomas e até doenças.

 

Falando especificamente sobre a tireoide!

A tireoide é uma glândula muito importante no nosso corpo, que controla nosso metabolismo. Das doenças da tireoide, mais de 90% correspondem ao hipotireoidismo.

Com certeza, muitas pessoas com hipotireoidismo subclínico e hipotireoidismo franco, estão sem diagnóstico correto e perambulando por aí.

No hipotireoidismo não há produção suficiente do hormônio ativo da tireoide, o T3, conhecido como triiodotironina, e do T4, a tiroxina. Sintomas comuns do hipotireoidismo são o cansaço crônico, queda de cabelo, unhas fracas e quebradiças, problemas com a memória e pele seca.

 

 

Os sintomas de hipotireoidismo podem ser típicos e evidentes, mas algumas pessoas podem também apresentar sintomas leves, que evoluem lentamente durante anos, que às vezes até passam despercebidos e não são conectados com um problema maior.

Dependendo da idade do paciente, do seu estado nutricional, de outras doenças associadas e do grau do hipotireoidismo, os sintomas variam em intensidade.

Outros sintomas que o paciente poderá apresentar são as dores musculares ou articulares, alteração no humor, variando entre ansiedade e/ou depressão e dificuldade com o peso na balança.

Hipotireoidismo também está associado a doenças cardiovasculares, osteoporose e infertilidade, por isso o diagnóstico precoce é fundamental para evitar outros sintomas e complicações.

 

Sintomas gastrointestinais do hipotireoidismo

Quando a tireoide não está funcionando de forma adequada o trato gastrointestinal sofrerá consequências.

Para melhor entendimento vamos pensar na tireoide como sinônimo de metabolismo, se há hipotireodismo, o metabolismo gastrointestinal desacelera.

E o que isso significaria em sintomas? Menor produção de ácido clorídrico e consequentemente de enzimas, e diminuição da motilidade intestinal.

Empachamento, refluxo, digestão lenta, gases em excesso, inchaço, dor abdominal e alteração no trânsito intestinal, principalmente a constipação.

 

 

Essa é a forma pela qual o hipotireoidismo afeta o nosso intestino, e acredito que até aqui tudo bem não é mesmo? Esses são sintomas que normalmente conseguimos relacionar a um mau funcionamento da tireoide.

 

SIBO e hipotireoidismo

O hipotireoidismo pode causar sintomas no intestino, e o intestino, em disbiose, pode agravar sintomas da tireoide ou deflagrar o hipotireoidismo.

Quando o intestino apresenta problemas de motilidade intestinal, por qualquer motivo ou outra doença sistêmica, há estase bacteriana no intestino, que juntamente com resíduos alimentares que não são devidamente eliminados, favorecem o supercrescimento bacteriano. É a fórmula mágica para o SIBO!

Essas bactérias em excesso fermentam carboidratos e fibras da sua dieta levando a sintomas de inchaço, gases, dores e alteração no trânsito intestinal.

Além disso, a fermentação bacteriana sobre os alimentos, que ocorre ainda no delgado, que é o nosso órgão de absorção, leva à deficiências de várias vitaminas e nutrientes, as bactérias acabam roubando os nossos alimentos.

Muitas destas vitaminas e minerais são importantes para a conversão do T4, em T3, o hormônio ativo da tireoide.

A tireoide é muito sensível à falta de ferro, vitamina B12, zinco, magnésio, selênio, cobre, e assim, com a falta de nutrientes, o hipotireoidismo começa a acontecer.

Além disso, no SIBO, temos o aumento da permeabilidade intestinal, o leaky gut, devido a inflamação intensa causada pelas bactérias intestinais em excesso. A parede do intestino fica porosa, com pequenas fendas que permitem a entrada de restos de alimentos, toxinas e pedacinhos das paredes das bactérias que morrem diariamente, aos milhares no nosso intestino, para a nossa circulação.

Esses pedaços de bactérias, que entram na nossa corrente sanguínea, chamamos de LPS, lipopolissacarídeos, são toxinas que entram na circulação e atingem nossa tireoide e prejudicam a sua produção hormonal.

 

 

E se a causa do SIBO for o hipotireoidismo?

No texto acima comentamos sobre como os problemas de motilidade intestinal podem levar a estase alimentar e bacteriana, apresentando um fator de risco para o SIBO. Pensou na tireoide?

Sim!! O hipotireoidismo pode levar a falta de movimentação intestinal!

Você já escutou falar em como a constipação está ligada ao hipotireoidismo certo?

Com isso, a baixa função da tireoide, além de causar sintomas intestinais, poderá levar ao SIBO. O SIBO, por sua vez, levará à inflamação da tireoide pelo leaky gut e LPS, e a falta de nutrientes que ocorre pela inflamação intestinal prejudicará a transformação de T4 em T3.

Lembrando que no hipotireoidismo ocorre diminuição da produção de ácido clorídrico pelo estômago. O ácido mantém o ph gástrico baixo, controlando o crescimento de bactérias no trato digestivo e digerindo alimentos de forma adequada.

Se falta ácido, sobra bactérias, e se fragmentos alimentares maiores chegam ao intestino, que se encontra com baixa motilidade, temos condições favoráveis ao supercrescimento.

 

 

Para entendimento dos seus sintomas, diagnóstico correto e tratamento efetivo, o seu médico ou gastroenterologista deverá estar ciente e atento a estas conexões tão importantes.

O nosso corpo é único e funciona de forma conectada, não somos um ovário, uma tireoide, um pedaço de intestino, mas sim, sistemas conectados que dependem um do outro para que nossa saúde seja plena.

 

Sintomas podem confundir médico e paciente! Cuidado!

 

 

As queixas gastrointestinais do paciente com hipotireoidismo são gases, inchaço, dor e alteração no trânsito gastrointestinal. E por um acaso, você lembra dos sintomas do SIBO?

Gases, inchaço, desconforto e dor abdominal, diarreia ou constipação!

Muitos endocrinologistas colocam os sintomas do SIBO na conta do hipotireoidismo e muitos gastroenterologistas, que recebem pacientes com SIBO, onde o fator causal é a tireoide, não conseguem diagnosticar de forma correta o hipotireoidismo.

 

Como fazer o diagnóstico correto?

Na suspeita de hipotireoidismo o painel de avaliação tireoidiana através dos exames de sangue deverá ser realizado, e inclui avaliação de T3, T4, TSH, T3 reverso, anticorpos anti-peroxidase e anti-tireoglobulina e se possível, ultrassom de tireoide para avaliar tireoidite de Hashimoto, a principal causa de hipotireoidismo.

No caso de SIBO o médico deverá solicitar o teste respiratório de hidrogênio e metano expirados, para avaliar SIBO ou IMO (supercrescimento de arqueias produtoras de metano), ambas relacionadas com hipotireoidismo.

 

 

Considerações importantes deste artigo!!

1. A tireoide e o intestino são dois órgãos intimamente conectados!

2. Doenças da tireoide afetam o intestino e vice-versa.

3. Quando há alteração na tireoide ou no intestino, os sintomas que podem ocorrer devido a alteração em qualquer um destes órgãos, são  muito semelhantes , e isto pode confundir médicos e pacientes.

4. Portanto, quando  existe alteração no intestino, investigar a tireoide, e quando há alteração na tireoide, investigar o SIBO!

5. Para diagnóstico  de SIBO solicitar o teste de hidrogênio expirado, para doenças  da tireoide, solicitar exames de sangue e ultrassom da tireoide.

6. Certifique-se de estar acompanhada(o) por um médico que tenha conhecimento na abordagem integrativa, isso é fundamental para que você receba o diagnóstico correto e o tratamento eficiente.

7. Sempre olhar para o todo e não somente para sintomas isolados!

 

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