Intolerância à Histamina: Quando o Intestino Fala Mais Alto!

Intestino inflamado e histamina.

Dra.Loana Heuko Valiati // 07/05/2025

Categoria: intolerância à histamina, SIBO, intestino

 

 

A importância da microbiota e da saúde intestinal

Nosso intestino é um órgão multifuncional que participa não apenas da digestão, mas também da regulação imunológica, hormonal e até emocional, por meio do eixo intestino-cérebro.

Em grande parte, isso se deve à microbiota intestinal, um conjunto de trilhões de microrganismos que convivem conosco em equilíbrio. Essa microbiota é fundamental para a produção de vitaminas, como B12 e K, para a defesa contra patógenos e para o controle de substâncias inflamatórias.

Quando há desequilíbrio — um estado conhecido como disbiose —, surgem consequências sistêmicas. Uma dessas repercussões é a dificuldade de lidar com a histamina, uma substância que pode se acumular no corpo e provocar uma série de sintomas.

 

De onde vem a histamina?

 

 

A histamina é uma molécula natural do nosso organismo, classificada como uma amina biogênica. Ela é produzida por células do sistema imunológico, como os mastócitos, e participa de processos como resposta inflamatória, secreção gástrica e neurotransmissão.

Além da produção interna, a histamina também está presente em diversos alimentos, principalmente em alimentos fermentados, envelhecidos ou conservados inadequadamente.

Embora tenha funções importantes, a histamina, quando acumulada, pode se tornar prejudicial, especialmente se o organismo falha em degradá-la de maneira eficaz.

 

A importância da microbiota e da DAO na quebra da histamina!

O principal mecanismo para eliminar a histamina ingerida é a ação da enzima diamino-oxidase (DAO), produzida no intestino delgado. A DAO é responsável por neutralizar a histamina antes que ela entre na corrente sanguínea.

A eficiência dessa enzima depende tanto da saúde das células intestinais quanto do equilíbrio da microbiota. Algumas bactérias intestinais são capazes de produzir histamina, enquanto outras contribuem para sua degradação.

Quando a microbiota está desequilibrada, como no caso da disbiose ou de doenças intestinais, a produção de DAO pode ser reduzida e o metabolismo da histamina prejudicado, favorecendo o aparecimento de sintomas.

 

Sintomas da intolerância à histamina!

 

 

A intolerância à histamina costuma ser subdiagnosticada devido à ampla variedade de sintomas que pode causar. Estes incluem dores de cabeça e enxaquecas, rubor facial, urticária, coceiras, palpitações, congestão nasal, ansiedade, distúrbios do sono e sintomas gastrointestinais como distensão abdominal, cólicas e diarreia.

Algumas pessoas também relatam sensação de calor, alterações de humor e queda de pressão arterial. Como esses sinais se assemelham aos de reações alérgicas e são inespecíficos, a intolerância à histamina pode permanecer sem diagnóstico por muitos anos.

 

Alimentos com histamina

 

 

Ingerimos, diariamente, vários alimentos com teor de histamina, e muitos deles saudáveis, como peixes, tomate, cogumelos, beringela, abobrinha e banana.

Alimentos fermentados, envelhecidos ou mal-conservados tendem a conter altos níveis de histamina. Entre eles estão queijos maturados, vinhos tintos, cervejas, embutidos, peixes defumados ou mal armazenados, alimentos enlatados, molhos fermentados como shoyu, vegetais em conserva, tomates e berinjelas.

Outros alimentos, como chocolate, frutas cítricas, morangos e espinafre, não contêm histamina, mas estimulam sua liberação ou inibem a DAO, agravando o quadro. Por isso, a identificação dos gatilhos individuais é essencial para o manejo da intolerância.

 

Doenças intestinais associadas à intolerância à histamina: SIBO!

 

 

Várias doenças intestinais podem estar por trás da intolerância à histamina. O SIBO (supercrescimento bacteriano do intestino delgado) é uma das principais causas secundárias. Nesse quadro, bactérias que normalmente vivem no intestino grosso passam a colonizar o intestino delgado, onde fermentam carboidratos.

A inflamação causada na parede intestinal, devido à presença maciça de bactérias no intestino delgado, a disbiose e inflamação intestinal, interferem diretamente na produção e função da DAO e na integridade da mucosa intestinal, contribuindo para sintomas intensos e persistentes.

Além do SIBO, outras condições como doença celíaca, doença inflamatória intestinal (Crohn e retocolite), infecções intestinais e uso prolongado de antibióticos também podem prejudicar a produção da DAO e agravar a intolerância.

 

Como tratar a intolerância à histamina?

 

 

O tratamento deve ser individualizado e guiado por um gastroenterologista com experiência em atendimento às doenças da microbiota intestinal.

Múltiplas etapas fazem parte do tratmento: identificação e tratamento da causa de base (como o SIBO), modulação da microbiota intestinal com antibióticos naturais ou específicos, correção da motilidade intestinal e restauração da barreira mucosa.

Inicialmente, recomenda-se uma dieta com baixo teor de histamina, seguida por reintrodução gradual dos alimentos, monitorando sintomas. Em casos selecionados, pode-se utilizar suplementos de DAO (enzima que auxilia na quebra da histamina), além de nutrientes que apoiam da enzima, como vitamina B6, vitamina C, magnésio e cobre.

O uso de probióticos deve ser cuidadoso, pois algumas cepas podem agravar os sintomas no caso de SIBO, por isso, a escolha deve ser feita com critério clínico.

 

Considerações finais deste artigo!

1. A intolerância à histamina está relacionada à baixa atividade da enzima DAO e à disbiose intestinal.

2. A histamina pode ser produzida pelo corpo ou ingerida através de vários tipos de alimentos, como os alimentos envelhecidos e muitos outros considerados saudáveis, e que fazem parte da nossa rotina alimentar.

3. A microbiota intestinal tem papel essencial na produção da DAO e no controle da histamina.

4. SIBO e outras doenças intestinais são causas comuns de intolerância secundária à histamina.

5. Os sintomas são variados e muitas vezes confundidos com alergias ou reações alimentares inespecíficas.

6. O tratamento envolve abordagem dietética, correção da disbiose, suporte enzimático e cuidado com probióticos.

7. Certifique-se de estar acompanhada por um gastroenterologista experiente em atendimento das doenças da microbiota. E principalmente, com foco em tratar a causa raiz e não somente sintomas, seu bem-estar depende disso!