Microbiota intestinal e adoçantes: qual o impacto na sua saúde digestiva?

Xilitol, eritritol e SIBO!

Dra.Loana Heuko Valiati // 03/06/2025

Categoria: intestino, leaky gut, suplementos

 

 

O que é microbioma intestinal

A microbiota intestinal é definida como um conjunto de trilhões de microrganismos que vivem no nosso intestino. A maioria são bactérias, mas também existem fungos e outros tipos de micróbios. Eles são fundamentais para a nossa saúde, pois ajudam na digestão dos alimentos, na produção de vitaminas, fortalecem o sistema imunológico e protegem contra micro-organismos prejudiciais.

Quando esse sistema está equilibrado, o intestino funciona bem e contribui para o bom funcionamento do corpo como um todo. Porém, quando há um desequilíbrio, condição chamada de disbiose, podem aparecer sintomas como inchaço, dor abdominal, diarreia e até quadros mais complexos, como a síndrome do intestino irritável (SII) ou o supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO).

Tratamentos que visam entregar bons resultados, apresentam uma abordagem centrada na microbiota, cada caso deverá ser analisado individualmente, mas poderemos utilizar prebióticos, probióticos, suplementos e planos alimentares personalizados para recuperar esse equilíbrio e melhorar a saúde digestiva.

 

 

Substitutos do açúcar e adoçantes: o que você precisa saber!

O uso de adoçantes e substitutos do açúcar tem se tornado cada vez mais comum, especialmente entre pessoas que buscam controlar o peso, evitar picos de glicose ou reduzir a ingestão calórica. No entanto, apesar de parecerem inofensivos, esses compostos podem interferir na saúde intestinal.

De modo geral, eles se dividem em dois grupos. O primeiro grupo é formado pelos adoçantes artificiais, como aspartame, sucralose e estévia. Esses são encontrados em refrigerantes, iogurtes, chicletes e outros alimentos industrializados sem açúcar. Costumam ser isentos de calorias e não elevam a glicose no sangue.

Porém, seu efeito sobre o intestino ainda está sendo estudado. Algumas pessoas, especialmente aquelas com o intestino mais sensível, relatam sintomas como gases, desconforto abdominal ou alteração do ritmo intestinal após o consumo desses produtos.

 

 

O segundo grupo inclui os álcoois de açúcar (polióis), como xilitol, eritritol e isomalte. Esses compostos estão presentes em doces, balas, gomas de mascar e produtos “low carb”.

Apesar de parecerem mais naturais e apresentarem baixo índice glicêmico, podem fermentar no intestino, provocando sintomas como inchaço, flatulência ou diarreia.

Por outro lado, alguns deles também podem favorecer bactérias benéficas, funcionando como prebióticos, dependendo da quantidade ingerida e da sensibilidade de cada pessoa.

 

 

Como os álcoois de açúcar afetam a microbiota intestinal?

Ainda há muito a ser descoberto sobre os efeitos dos álcoois de açúcar na microbiota intestinal. Mas alguns dados já nos ajudam a entender melhor o comportamento de cada tipo, especialmente em pessoas com o intestino mais sensível.

O eritritol é bastante utilizado por praticamente não conter calorias, embora forneça cerca de 20 kcal por 100 gramas. Ele é rapidamente absorvido no intestino delgado, o que significa que pouca quantidade chega ao intestino grosso, onde vivem a maioria das bactérias da microbiota intestinal.

Por esse motivo, ele tende a causar menos fermentação e sintomas intestinais. No entanto, os estudos disponíveis até agora são inconclusivos quanto ao impacto positivo ou negativo do eritritol na microbiota.

O xilitol, por outro lado, pode estimular a produção de ácidos graxos de cadeia curta, compostos benéficos para o intestino. Mesmo assim, ele tende a fermentar mais no intestino grosso e pode causar sintomas como gases e desconforto abdominal em algumas pessoas.

 

 

A tolerância ao xilitol varia bastante. Em pequenas quantidades, muitas pessoas não apresentam sintomas, mas doses maiores podem gerar efeitos indesejados.

O isomalte tem um comportamento um pouco diferente. Ele chega praticamente intacto ao intestino grosso, onde serve de alimento para bactérias benéficas, como as bifidobactérias.

Por esse motivo, pode ter efeito prebiótico e ajudar a equilibrar a microbiota intestinal. Porém, em pessoas com distúrbios como a síndrome do intestino irritável (SII) ou o supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO), o uso do isomalte e de outros polióis precisa ser feito com cautela.

 

Por que os polióis podem ser bons para o intestino, mas precisam ser evitados em casos de SIBO?

Os polióis, também chamados de álcoois de açúcar, incluem compostos como xilitol, eritritol, sorbitol e isomalte. Eles pertencem a um grupo de carboidratos fermentáveis conhecidos como FODMAPs. Esses carboidratos são geralmente mal absorvidos no intestino delgado e chegam ao intestino grosso, onde são fermentados pelas bactérias.

Essa fermentação produz gases e ácidos graxos de cadeia curta, que são importantes para a saúde intestinal, pois ajudam a fortalecer a barreira do intestino, alimentam as células do cólon e modulam o sistema imunológico.

Por isso, em pessoas com intestino saudável, os polióis podem atuar como prebióticos, promovendo uma microbiota equilibrada e benéfica.

No entanto, em pessoas com SIBO, ocorre um crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado, bactéria lá do intestino grosso, migram para o intestino delgado, onde normalmente não deveriam estar em grande quantidade.

 

 

Quando essas bactérias fermentam os polióis no local errado, isso provoca uma produção exagerada de gases e outros subprodutos, causando sintomas desagradáveis como distensão abdominal, dor, desconforto e alterações no trânsito intestinal.

Por isso, quem tem SIBO deve evitar ou restringir o consumo de polióis e outros alimentos ricos em FODMAPs até que o quadro esteja controlado, seguindo orientações de um profissional de saúde.

 

A dose faz o veneno!

Quando falamos de adoçantes e saúde intestinal, a chave está na moderação e na personalização. Um mesmo adoçante pode ser bem tolerado por uma pessoa e causar desconforto em outra. Tudo depende do estado do microbiota, da dose consumida e da sensibilidade individual.

A avaliação personalizada inclui exames para analisar a microbiota, ajustes na alimentação, testes de tolerância a diferentes tipos de adoçantes e, quando necessário, o uso orientado de probióticos e suplementos. Nos casos de SIBO, toda e qualquer suplementação de probiótico, quando indicada, deverá ser acompanhada por gastroenterologista, pelo risco de gases e distensão.

 

Considerações finais sobre este artigo!

1. A microbiota intestinal é fundamental para a saúde digestiva e imunológica.

2. Adoçantes e álcoois de açúcar (polióis) podem influenciar esse equilíbrio, tanto positivamente quanto negativamente.

3. Eritritol, xilitol e isomalte têm diferentes efeitos no intestino e podem causar sintomas como gases e inchaço, dependendo da pessoa e da dose.

4. Polióis são prebióticos em pessoas com intestino saudável, pois alimentam bactérias benéficas e ajudam a manter o equilíbrio da microbiota.

5. Em casos de SIBO, polióis devem ser evitados ou consumidos com muita cautela, porque fermentam em excesso no intestino delgado e podem agravar sintomas como dor, gases e inchaço.

6. Mesmo alimentos “sem açúcar” podem causar desconfortos intestinais, dependendo da sensibilidade individual.

7. Se você tem SII, SIBO ou outros distúrbios intestinais, é importante buscar avaliação e acompanhamento individualizados para entender quais adoçantes e alimentos são mais indicados para o seu caso.