Síndrome de Ativação Mastocitária (SAM): Quando o Sistema Imunológico entra em Alerta Constante!

80% do nosso sistema imune reside no intestino.

Dra.Loana Heuko Valiati // 05/05/2025

Categoria: intolerância à histamina, SAM, intestino

 

 

O que é a SAM e qual sua relação com os mastócitos?

A Síndrome de Ativação Mastocitária (SAM) é uma condição caracterizada pela ativação anormal e excessiva dos mastócitos — células do sistema imunológico que estão presentes em diversos tecidos, especialmente na pele, trato gastrointestinal e vias respiratórias.

Os mastócitos normalmente reagem em nossa defesa frente à situações que nos colocam em perigo, mas no caso da SAM, os mastócitos são altamente sensíveis, liberando suas substâncias químicas em situações inofensivas, sem um agente agressor, e nas condições em que o nosso corpo realmente necessita uma ação anti-inflamatória e protetiva, sua reação pode ser exagerada, resultando em sintomas sistêmicos e, muitas vezes, debilitantes.

Mais de 1000 substâncias químicas já foram identificadas dentro dos grânulos mastocitários, são os chamados mediadores químicos, como a histamina, prostaglandinas e citocinas, que participam de respostas inflamatórias e alérgicas.

 

O papel da histamina e de outros mediadores inflamatórios

A histamina é um dos principais mediadores envolvidos na SAM. Quando liberada em excesso, pode provocar sintomas como coceiras, rubor, pressão baixa, taquicardia, diarreia, dores de cabeça e crises de ansiedade.

Outros mediadores, como as prostaglandinas e leucotrienos, contribuem para sintomas como dor abdominal, fadiga crônica, náuseas, confusão mental e intolerâncias alimentares.

Essa ativação descontrolada pode afetar múltiplos sistemas do organismo, gerando sintomas diversos e muitas vezes intermitentes, o que torna o diagnóstico desafiador.

Muitas vezes o paciente procura por um cardiologista para checar a taquicardia, um dermatologista para checar as coceiras e alergias, um neurologista para checar ansiedade e insônia, mas o profissional que olhar para o paciente como um todo, avaliar suas queixas desde a infância, e conectar a seu histórico passado e atual com a histamina, este sim, será capaz de fechar o diagnóstico da SAM.

 

 

E assim, sua saúde e sua vida começam de verdade!

 

Quais são os sintomas da SAM?

A apresentação clínica da SAM é extremamente variável e pode envolver praticamente qualquer sistema corporal. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Pele: urticária, prurido, rubor facial, dermatografismo (é uma condição benigna onde a pele reage exageradamente a estímulos físicos, como pressão ou atrito, formando vergões avermelhados e elevados no local da pressão);
  • Gastrointestinal: distensão, diarreia, cólicas, náuseas, refluxo;
  • Cardiovascular: hipotensão, taquicardia, síncopes (desmaios);
  • Respiratório: congestão nasal, asma, chiado no peito;
  • Neurológico: névoa mental, dores de cabeça, ansiedade, insônia.

Muitos desses sintomas são confundidos com outras condições como alergias, intolerâncias alimentares, fibromialgia, disautonomias e transtornos de ansiedade e síndrome do intestino irritável.

O paciente provavelmente apresentará várias crises ao longo da sua vida, e todas elas podem apresentar sintomas variados a cada episódio. Em um episódio apresenta crises de rinite e alergias, em outro dores de cabeça e refluxo, com intensidade que pode ser variável também.

 

 

Relação com outras condições: SIBO, disbiose e intolerância à histamina!

A SAM frequentemente coexiste com distúrbios gastrointestinais como o SIBO (supercrescimento bacteriano do intestino delgado), que pode desencadear uma ativação crônica de mastócitos por estímulo inflamatório contínuo.

A disbiose intestinal (desequilíbrio de bactérias no intestino) e o aumento da permeabilidade intestinal (“leaky gut”) também podem estimular a liberação de mediadores mastocitários, contribuindo para a perpetuação do quadro.

Cerca de 80% do nosso sistema imune reside no intestino e qualquer condição que inflame o intestino, SIBO, IMO (supercrescimento de arqueis produtoras de metano), SIFO (supercrescimento fúngico intestinal), parasitoses e outras doenças do intestino, são capazes de ativar o mastócito.

 

Toda doença que ocorre no intestino, com certeza, é um potencial desencadeador de SAM!

 

 

Em muitos pacientes, a intolerância à histamina é um dos primeiros sinais clínicos da desregulação mastocitária, sendo comum que ambas as condições se sobreponham.

 

Diagnóstico: um desafio clínico!

O diagnóstico da SAM ainda é clínico, muitas vezes de exclusão, pois não há um único exame específico e definitivo. Critérios diagnósticos incluem:

  • Presença de sintomas compatíveis com ativação mastocitária em dois ou mais sistemas; (clique aqui para receber uma lista de todos os órgãos acometidos pela SAM e seus respectivos sintomas)
  • Resposta a medicamentos que bloqueiam a liberação ou ação dos mediadores dos mastócitos (como anti-histamínicos);
  • Elevação de marcadores laboratoriais (triptase, prostaglandina D2, histamina plasmática ou urinária) durante crises.

Como os sintomas podem variar muito de intensidade e localização, é comum que pacientes levem anos até receberem um diagnóstico correto.

 

 

Tratamento da Síndrome de Ativação Mastocitária

O tratamento da SAM envolve múltiplas abordagens e deve ser individualizado. As estratégias incluem:

  • Bloqueio da histamina: uso de anti-histamínicos H1 (como loratadina, fexofenadina) e H2 (como ranitidina ou famotidina);
  • Estabilizadores de mastócitos: como cromoglicato de sódio e quercetina;
  • Inibidores de leucotrienos: como montelucaste;
  • Dieta baixa em histamina: por tempo limitado, focando na identificação de gatilhos alimentares;
  • Suporte intestinal: tratar disbiose, SIBO e melhorar a integridade da mucosa intestinal com probióticos, prebióticos e nutrientes anti-inflamatórios. 

 

 

 

A abordagem integrativa e o acompanhamento por profissionais experientes são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com SAM.

 

Considerações importantes deste artigo:

1. A SAM é causada por uma ativação exagerada e disfuncional dos mastócitos.

2. Os sintomas são diversos, envolvem múltiplos sistemas e variam de pessoa para pessoa.

3. A histamina é um dos principais mediadores envolvidos, gerando sintomas semelhantes a alergias e intolerâncias.

4. A condição está frequentemente associada a doenças intestinais como disbiose e SIBO.

5. O diagnóstico é clínico e exige conhecimento especializado, além de uma boa escuta ao paciente.

6. O tratamento é multifatorial, combinando medicações, dieta e suporte à saúde intestinal.

7. Com o manejo adequado, é possível controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.

8. Certifique-se de estar acompanhado de um gastroenterologista experiente no atendimento das doenças da microbiota intestinal e doenças crônicas do intestino como a SAM! O diagnóstico e tratamento correto mudam a sua qualidade de vida!