Diagnóstico e tratamento de SIFO!
Supercrescimento Fúngico Intestinal.
Dra.Loana Heuko Valiati // 25/03/2025
Categoria: SIFO, intestino, fungos

A microbiota intestinal, composta de trilhões de microrganismos, normalmente vive em EUBIOSE, uma condição que define equilíbrio entre as bactérias, vírus, arqueias e fungos.
Sim! Temos fungos no nosso intestino, que fazem parte do ecossistema intestinal, e isso é normal, inclusive, podem oferecer alguns benefícios à nossa saúde.
Mas, vários fatores podem romper este delicado equilíbrio microbiano, levando ao desenvolvimento de SIFO (Síndrome Fúngica Intestinal), com repercussões tanto intestinais quanto extraintestinais.
O que pode favorecer o aparecimento de SIFO?
Situações que comprometem o adequado funcionamento do sistema imune, ou que causem DISBIOSE (desequilíbrios entre os microrganismos intestinais), podem favorecer o SIFO:
1. Uso de antibióticos – com o uso deste tipo de medicamentos, eliminamos boas bactérias que competem com os fungos, criando um ambiente favorável ao SIFO
2. Uso de inibidores de bomba de prótons, que diminui a acidez gástrica, que controla o crescimento de microrganismos no nosso corpo
3. Quimioterapia e radioterapia, afetam imensamente a microbiota intestinal
Indivíduos imunocomprometidos
4. Crianças e idosos que apresentam um sistema imune mais sensível
5. Dieta rica em açúcares e carboidratos simples
6. Outros medicamentos: opióides, antidepressivos, antiácidos e anticoncepcional via oral.

Como se faz o diagnóstico de SIFO?
O diagnóstico de SIFO é desafiador, infelizmente, não temos um único exame, aceito dentro da comunidade médica, que permita o diagnóstico de SIFO.
Se o paciente apresenta os sintomas de síndrome fúngica, várias ferramentas associadas são utilizadas para o diagnóstico de SIFO.
Existem questionários para avaliação dos sintomas de SIFO, endoscopia com aspirado duodenal (primeira porção do intestino delgado), testes do microbioma fecal, determinados exames de fezes para verificação de fungos ou de seus metabólitos, testes de ácidos orgânicos urinários (com dosagem de D-arabinitol) e exclusão de outras condições com sintomas similares.
Às vezes, o diagnóstico clínico é feito, principalmente, quando os sintomas de SIFO são exuberantes e o paciente apresenta outros sinais de crescimento excessivo de fungos, como candidíase de repetição, que não cede ao tratamento convencional.
A piora dos sintomas, após consumir bebidas ou alimentos açucarados, alimentos ou suplementos probióticos ou vinagre de maçã, também são sinais que indicam SIFO.
Importante! O teste respiratório de hidrogênio expirado não avalia o SIFO, mas, pode ser solicitado pelo seu médico, para exclusão de SIBO, supercrescimento de bactérias no intestino delgado, uma condição que apresenta os mesmos sintomas: gases, inchaço, desconforto abdominal e alteração no trânsito intestinal (diarreia ou constipação).
A associação entre SIBO e SIFO é muito comum!
Muitas vezes o SIBO é diagnóstico e o SIFO negligenciado, o gastroenterologista deve estar atento à essa associação, para que você receba o diagnóstico correto e o tratamento adequado!

Como tratar o SIFO?
O tratamento para o SIFO envolve várias estratégias que podem estar associadas.
Podemos utilizar antifúngicos convencionais ou à base de ervas, suplementos para desinflamação intestinal, dieta antifúngica e mudanças no estilo de vida.
Antifúngicos convencionais ou à base de ervas
A maior parte dos tratamentos inclui antifúngicos convencionais, como por exemplo, fluconazol, cetoconazol, nistatina ou itraconazol.
O fluconazol é muito prescrito por apresentar ótima absorção intestinal e efetividade contra a Candida. A nistatina , fica dentro do intestino, com ótima ação contra a Candida, apesar da redução de sua ação ao passar pela acidez estomacal.
O melhor antifúngico, e a dose e tempo de uso, deverá ser escolha do seu gastroenterologista. O uso de antifúngicos requer acompanhamento médico e cuidados especiais, principalmente para pacientes que já usam anticoagulante, remédios para controle de açúcar no sangue ou para pacientes que apresentam alteração do ritmo cardíaco.
Alguns dos efeitos colaterais dos antifúngicos: náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, dor no estômago, dor de cabeça, tontura, coceira na pele, alteração das enzimas hepáticas e efeitos cardíacos como as arritmias.
Remédios naturais são importantes no controle do SIFO, dos sintomas e da contagem de fungos.
Nas ervas medicinais encontramos ingredientes antifúngicos e antimicrobianos naturais, como o extrato de folha de oliveira, óleo de orégano, berberina, pau D’arco, tomilho, cravo e outros óleos que inibem o crescimento da Candida albicans, o fungo mais comumente encontrado nos casos de SIFO.

Probióticos podem ser uma ótima associação ao tratamento convencional ou fitoterápico, particularmente o Saccharomyces boulardii e Lactobacillus. Mas, cuidado no uso de probióticos se SIBO estiver associado, os sintomas de gases e distensão podem piorar!
Pensando no reparo do epitélio intestinal, podemos indicar o uso de L-glutamina e do NAC (N-acetilcisteína), que ajuda também na recuperação do intestino pela quebra de biofilmes (camada protetora dos microrganismos contra medicamentos).
Dieta para SIFO

O plano alimentar para SIFO tem como orientação principal a limitação de açúcar! Ao iniciar uma dieta assim, o paciente pode ter alívio rápido dos sintomas, mas devemos lembrar que essa abordagem alimentar só será benéfica e com resultados sustentáveis quando combinada a outros tratamentos.
No caso de SIFO, dieta com baixo açúcar e carboidratos refinados, alimentos processados e ultraprocessados, reduz o substrato que os fungos utilizam para se proliferar, o açúcar!
Alimentos fermentados são bem vindos, pois conferem vários benefícios à saúde intestinal, podemos incluir chucrute, kimchi, iogurte, missô ou kombucha.
No caso de SIBO ou IMO(supercrescimento metanogênico intestinal) associados ao SIFO, estes alimentos devem ser evitados, e aqui uma dieta low FODMAP, baixa em alimentos fermentativos, pode ajudar na diminuição dos sintomas e redução da inflamação intestinal.
Alguns alimentos podem auxiliar na movimentação intestinal e na quebra de biofilmes (camada protetora contra medicamentos desenvolvidas por microrganismos) como gengibre, óleo de coco, cúrcuma ou tomilho.
É crucial identificar o que causou o SIFO e tratar o SIFO com os antifúngicos, convencionais ou fitoterápicos, para impedir a volta dos sintomas após a interrupção da dieta.
O plano alimentar se faz necessário não somente para redução dos sintomas, mas para reparo do trato digestivo, medicamentos eliminam os fungos, mas não garantem a quantidade de nutrientes necessários para a recuperação de uma microbiota saudável e ambiente intestinal adequado.

Considerações finais!!
1. O SIFO é o supercrescimento de fungos no intestino, que causa sintomas intestinais e extraintestinais, conectar esses sintomas é importante para o diagnóstico.
2. SIFO pode causar candidíase de repetição, indicando uma ligação entre fungos
intestinais e problemas ginecológicos.
3. Tratar só a candidíase com antifúngicos porcurto prazo ou pomadas não resolverá o seu problema. Importante tratar ointestino!
4. O diagnóstico de SIFO pode ser desafiador, procure acompanhamento de gastroenterologistas experientes no atendimento dos distúrbios microbianos para diagnóstico correto e tratamento efetivo.
5. O tratamento é baseado em várias estratégias que incluem medicamentos, fitoterápicos, dieta e mudanças no seu estilo de vida, isso trará redução nos sintomas e menor recidiva.
6. Não esqueça, desinflamar e recuperar o intestino é fundamental para manutenção do tratamento e absorção de nutrientes necessários para a saúde do seu sistema imune!


